Protógenes deixa eloquência de lado ao depor à PF

Nas duas horas de audiência, delegado trocou estilo incisivo por uma resposta padrão: só falará à Justiça

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2009 | 00h00

Tão loquaz nas entrevistas e palestras que confere quase diariamente pelo País afora, até em carta ao presidente americano Barack Obama, a quem pede ajuda no combate à corrupção, o delegado Protógenes Queiroz calou-se na hora em que teve sua primeira oportunidade, em caráter oficial, de contar tudo o que diz sobre a Operação Satiagraha.Sob ameaça de condução coercitiva ele atendeu à intimação para depor no inquérito da Polícia Federal que investiga seu envolvimento no vazamento de dados secretos da missão contra o banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity.Mas elegeu o silêncio como estratégia. Apegou-se ao direito constitucional de não falar e trocou o estilo incisivo e contestador por uma resposta padrão: só pretende falar à Justiça.Foram duas horas de audiência, na sede da PF, terça passada. Ele foi indiciado criminalmente por quebra de sigilo funcional e violação à Lei de Interceptações Telefônicas.Protógenes não respondeu a uma única questão de todo o rol que lhe reservou o delegado Amaro Vieira Ferreira, corregedor da PF. Nem mesmo sobre a polêmica aliança com arapongas da Agência Brasileira de Inteligência, que defende com veemência, o mentor da Satiagraha se manifestou.A PF quer a cabeça de Protógenes porque mobilizou 84 agentes e oficiais para compor a força-tarefa anti-Daniel Dantas e a eles franqueou até mesmo o Guardião - máquina de grampos da corporação à qual só podem ter acesso seus agentes munidos de senhas intransferíveis.Logo no início do interrogatório ele já deixou claro que não pretendia usar os argumentos que normalmente utiliza em eventos, via de regra patrocinados pelo PSOL. "Se reserva no direito constitucional de responder aos questionamentos só em juízo", ficou o registro.Até quando indagado sobre seu endereço, para constar do termo de qualificação, esquivou-se: "Declinou a sede da Polícia Federal em Brasília, informando que atualmente encontra-se na casa de amigos, razão pela qual não informa o endereço residencial". Ele acrescentou que "não dispõe de telefone celular, pois todos foram apreendidos".O corregedor perguntou ao mentor da Satiagraha: "Confessa ser o patrocinador dessa interação Abin/Polícia Federal na Operação Satiagraha?" Sem reação, exceto a observação: "Só vai responder na Justiça."O corregedor insistiu. "Determinou aos servidores da base de operações da Diretoria de Inteligência Policial em São Paulo, na atuação da Operação Satiagraha, sob comando do interrogado, a inclusão de servidores da Abin, possibilitando-lhes acesso ao sistema Guardião?" Protógenes em silêncio.O corregedor inquiriu: "Já foi preso ou processado?" O indiciado, uma vez mais, disse que vai responder, mas "só na Justiça". Ao final da audiência, Protógenes "foi então advertido da obrigatoriedade de comunicação de eventuais mudanças de endereço".

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