Protógenes aponta complô de PF e STF a favor de Dantas

Hotel em que o delegado que comandou a Operação Satiagraha estava hospedado passou por buscas do órgão

VANNILDO MENDES, Agencia Estado

07 de novembro de 2008 | 18h46

O delegado Protógenes Queiroz afirmou nesta sexta-feira, 7,  que as buscas da Polícia Federal (PF) na sua residência e a aprovação do habeas-corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) em favor do banqueiro Daniel Dantas fazem parte de uma "operação casada", uma "patranha", envolvendo a cúpula das duas instituições para desmoralizá-lo. O objetivo final da manobra, segundo ele, é beneficiar o empresário, preso em julho na  Operação Satiagraha. "As buscas me enfraquecem e mostram o poder extremo a que chegou esse bandido e sua penetração nas altas esferas do poder", disse.   Veja Também: PF vasculha apartamentos de Protógenes Especial explica a Operação Satiagraha  Multimídia: As prisões de Daniel Dantas  Daniel Dantas, pivô da maior disputa societária do Brasil Na quarta-feira, PF faz apreensões, com ordem judicial assinada pelo juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal de São Paulo, em vários endereços ligados ao delegado. Na quinta-feira, o STF, por 9 votos a 1, validou o habeas-corpus concedido pelo presidente do tribunal, ministro Gilmar Mendes, a Daniel Dantas, preso como cabeça da organização criminosa, desmantelada pela Satiagraha, com outros 16 acusados de envolvimento em corrupção, fraudes financeiros e sonegação. "É uma ação articulada para cumprir o script determinado pelo banqueiro bandido e evitar que ele abra a boca e conte tudo que sabe", explicou Protógenes, para quem Dantas é um arquivo vivo da corrupção. Em palestra de mais de três horas para um auditório quase vazio, promovida por mestrandos de direito da Universidade Católica de Brasília, Protógenes descarregou crítica ácidas à cúpula da Justiça e da PF, aos quais acusa de promoverem "perseguição brutal" contra ele, para enfraquecer a investigação da Satiagraha e garantir impunidade ao banqueiro. Protógenes defendeu o juiz federal paulista Fausto de Sanctis, que determinou as prisões, revogadas depois pelo STF e no final deste mês julga os indiciados por envolvimento na quadrilha. Para o delegado, o juiz é vítima do mesmo processo de desqualificação, para afastá-lo do julgamento. "Essa não é uma luta do Protógenes, é do Brasil e da sociedade", disse. "O País sai desmoralizado se o bandido Daniel Dantas não for condenado", observou. Ao final, mandou um recado que estará de volta no próximo dia 26, quando termina a licença do curso que está fazendo, e retomará a luta contra a corrupção sem descanso até "pôr o bandido e corrupto Daniel Dantas" atrás das grades. "Me aguardem, eu não vou me acovardar agora", avisou.

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