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Protógenes agora diz que juízes não sabiam sobre Abin

Recuo de delegado confirma versão do procurador Rodrigo de Grandis

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2009 | 00h00

O delegado Protógenes Queiroz, mentor da Operação Satiagraha - investigação contra o banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, condenado a 10 anos de prisão por corrupção ativa -, recuou e decidiu retificar o depoimento que prestou em setembro ao Ministério Público Federal, em Brasília. Na ocasião, ele declarou que a parceria de arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e agentes da Polícia Federal era do conhecimento dos juízes federais Fausto Martin De Sanctis e Márcio Milani e também do procurador da República Rodrigo de Grandis.Na última quarta-feira, Protógenes retornou ao Ministério Público Federal para corrigir a informação. Ele esclareceu que os dois magistrados e o procurador "não foram informados da participação de agentes da Abin na Operação Satiagraha".Protógenes disse, ainda, que as autoridades sabiam apenas "das dificuldades operacionais que a administração central da Polícia Federal estava causando às apurações".A retificação do criador da Satiagraha põe fim a uma polêmica que ele próprio criou ao atribuir indiretamente aos juízes e ao procurador aval ao recrutamento de 84 agentes e oficiais da Abin para compor a força-tarefa anti-Daniel Dantas. Ele havia declarado que informou o procurador e os juízes sobre a colaboração.A nova versão de Protógenes também confirma teor de nota divulgada domingo pelo procurador Rodrigo de Grandis, que informou não ter sido avisado da parceria, "seja formalmente ou informalmente". O procurador destacou que nos inquéritos e no processo já abertos relativos à Satiagraha todos os atos são assinados por delegados e agentes da PF. "Nenhum documento cita ou comunica a participação de agentes da Abin na investigação."COLABORAÇÃONa avaliação de Rodrigo de Grandis, que comanda a devassa na vida do banqueiro do Opportunity, a aliança Abin-PF, embora não tenha sido comunicada, "não configura crime, nem ilegalidade".O procurador assevera que a Lei do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) prevê a colaboração e o compartilhamento de dados entre a polícia e os demais setores de inteligência. "Sustentar que a participação da Abin é ilegal é o mesmo que apontar que a participação do Banco Central, numa investigação de fraude financeira, ou da Receita Federal, numa investigação fiscal, é ilegal."Rodrigo de Grandis anota que, quando a Abin participou da investigação sobre o sumiço de laptops da Petrobrás, não houve questionamentos.

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