Protocolado pedido para Gilberto Carvalho depor na CPI

Requerimento de deputados diz que chefe de gabinete de Lula foi alvo de investigações de grampos

CIDA FONTES, Agencia Estado

06 de agosto de 2008 | 19h15

Um requerimento de convocação do chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, foi protocolado no início da noite na mesa da CPI dos Grampos da Câmara que apura casos de escutas telefônicas clandestinas. Os autores do requerimento - deputados Gustavo Fruet (PMDB-PR), que foi um dos sub-relatores da CPI dos Correios, e Vanderlei Macris (PSDB-SP) - querem que Carvalho seja ouvido pela CPI por ser alvo de investigação da Operação Satiagraha, da Polícia Federal (PF), conforme informação confirmada à comissão, nesta quarta-feira, pelo delegado Protógenes Queiroz.O requerimento justifica a convocação com a afirmação de que Carvalho "foi alvo de investigações que teriam levado à interceptação de suas comunicações telefônicas, em especial os seus contatos com o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh". Protógenes foi questionado pelo deputado Márcio Junqueira (DEM-RR), que quis saber se a Justiça havia autorizado escuta telefônica no gabinete de Carvalho, no Palácio do Planalto. O delegado voltou a repetir que havia um "limitador jurídico" para responder, uma vez que a Justiça, ao conceder esse tipo de autorização, impõe sigilo.Junqueira insistiu na pergunta, e Protógenes, então, acrescentou: "Todas as (gravações das) pessoas referidas na operação tiveram autorização." Não entrou em detalhes. Antes disso, quando Protógenes admitira que Gilberto Carvalho é um dos alvos das investigações da Operação Satiagraha, da PF, Macris anunciara que apresentaria o requerimento de convocação do chefe do gabinete de Lula.Reproduções de conversa telefônica gravada pela PF dão a entender que Carvalho teria se valido do cargo no governo e atendido a um pedido de Greenhalgh para que apurasse, na Associação Brasileira de Inteligência (Abin) e na PF, quem seria o suposto agente que estaria seguindo o advogado no Rio de Janeiro. Na época, Greenhalgh prestava serviço a Daniel Dantas, sócio-fundador do Grupo Opportunity e que chegou a ser preso pela PF na investigação de denúncias de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.Ainda na sessão de hoje da CPI, o relator da comissão, deputado Nelson Pelegrino (PT-BA), anunciou que apresentará requerimento de quebra de sigilo da Operação Chacal, em que a PF, investiga suposta espionagem da Telecom Itália pela Kroll, e da Operação Satiagraha, que até recentemente foi chefiada por Protógenes. O delegado disse que considera "oportuno" a CPI analisar o conteúdo das duas operações e se dispôs "a colaborar, se necessário".

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