Protestos querem mostrar 'protagonismo', diz Marina

A ex-senadora Marina Silva disse no programa "É Notícia", da RedeTV, que o fator agregador das diferentes bandeiras e pessoas nas manifestações ocorridos recentemente pelo Brasil é a necessidade de interromper o processo de separação entre sociedade e sistema político. As pessoas já não encontram nenhum tipo de elo ou de eco nas suas representações", afirmou. Segundo Marina Silva, a sociedade foi colocada em uma posição de "meros espectadores" e quer mostrar através das manifestações que é "protagonista". "Esse protagonismo vem na forma de um novo sujeito político".

LUCAS HIRATA, Agência Estado

08 de julho de 2013 | 08h01

Para a ex-senadora, este novo sujeito político tem uma característica um "ativismo autoral". "Com o advento dos meios modernos de comunicação, as pessoas têm a possibilidade de interação entre elas, quebrando a intermediação da comunicação". E a ruptura dessa intermediação faz com que as pessoas se transformem, diretamente, em mobilizadores e protagonistas das bandeiras em que acreditam.

O ativismo autoral, descrito por Marina Silva como global, faz frente ao "ativismo dirigido", anterior a posição presentes nas atuais manifestações, em que era preciso sempre ter uma instituição que representasse o povo. Segundo a ex-senadora, o novo ativismo mostra uma nova maneira de buscar a democracia.

"A internet está ajudando a transforma a ciência, a tecnologia, os negócios, a cultura, a espiritualidade, por que só a política deveria ficar imune a essas transformações?", questionou.

Questionada sobre as razões que levaram as manifestações no País, ela disse que uma série de fatores resultaram em um "mosaico" de motivos, inclusive a indignação contra corrupção, inflação e repressão policial. "Isso tudo já estava em estado de latência".

Para ela, era uma questão de tempo até que as petições online, referentes a vários assuntos, transbordassem do virtual para o presencial. Uma característica ressaltada por Marina Silva foi o prazer e a alegria da experiência vivencial de estar se movendo por uma causa. "Essas pessoas não são dirigidas por partidos, sindicatos, ou por líderes carismáticos, elas são autoras e mobilizadoras de suas bandeiras". Segundo ela, este fenômeno vai ganhar cada vez mais força.

A solução para a crise economia, social, ambiental, política, de valores e, consequentemente, civilizatória que, segundo a ex-senadora, o mundo vive, não deve ser encontrada em partidos, instituições. "Devemos nos transformar em militantes da civilização".

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