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Protestos pelo impeachment mexem com rotina de empresas e manifestantes

Serviços mudam de horário e restaurantes distribuem cartazes de apoio aos atos; opositor vai viajar 12 horas para demonstrar rejeição ao governo

Luiza Pollo, O Estado de S. Paulo

11 de março de 2016 | 15h59

São Paulo - A manifestação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, marcada para domingo, 13, vai mexer com a rotina de empresas e de pessoas interessadas em demonstrar insatisfação com o atual governo. As mudanças vão desde horário de funcionamento de serviços até oferta de brindes de apoio aos protestos e viagem de mais de 12 horas para participar das manifestações.

A rede de academias SmartFit vai mudar os horários de diversas unidades em São Paulo. "O objetivo é adequar a operação à situação atípica, garantindo acesso, segurança e integridade de funcionários e clientes", explica a empresa, em nota. 

Já a rede de restaurantes Habib's também vai ter mudanças, mas de caráter político. Desde sexta-feira, 11, até o dia do protesto, as lojas da Grande São Paulo, de Curitiba, Rio de Janeiro e Porto Alegre estarão decoradas com as cores verde e amarelo e os clientes receberão adereços, como cartazes com mensagens "a favor do País", afirma o  diretor de marketing da empresa, André Marques. Ele afirma que a ação é apartidária. "Nós tomamos todo o cuidado em relação a isso. Queremos incentivar a conversa a favor da mudança, porque todos são afetados pelo que está acontecendo."

Longa viagem. Entre os manifestantes, há quem encare a viagem que for preciso para defender suas posições políticas. Alscideh Jesus vai passar 24h em um ônibus no fim de semana para pedir o impeachment da presidente. Ele mora no município de Comercinho, no norte de Minas Gerais, a 700km de Belo Horizonte. A cidade tem pouco menos de 8 mil habitantes e nenhum ato organizado para o dia 13.

Simpatizante do movimento Vem Pra Rua e manifestante assíduo desde os protestos de 2013, Alscideh justifica o esforço: "A gente não pode aceitar o que o PT faz com o Brasil. Isso foi tudo maquinado para o País ficar igual à Venzuela, à Bolívia."

A viagem será um "bate e volta" de ônibus e cada trecho deve demorar 12 horas. O manifestante pretende chegar a Belo Horizonte às 5h de domingo e voltar para Comercinho à noite, após o protesto. O trajeto deve custar aproximadamente R$400, valor igual ao da mensalidade que Alscideh paga na faculdade de pedagogia. 

O educador social Paulo Eduardo Santiago de Castro também costuma viajar para participar de protestos, raros no município de Guaratinguetá, onde mora. Ele pretende percorrer quase 200km até São Paulo no dia 20 se manifestar contra o impeachment.  "Vou para fortalecer e unir a militância na capital", explica. 

Para ele, a situação atual do País coloca, de um lado, "pessoas pedindo a intervenção militar, xingamentos machistas contra a presidenta" e, de outro, "a situação esquizofrênica da esquerda, que precisa defender um governo que atende à agenda da direita". A viagem é mais curta, leva 2 horas e meia, e Castro vem acompanhado de 14 pessoas numa van.

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