Protestos na diplomação de eleitos do Paraná

Os deputados eleitos pelo Paraná foram vaiados ao chegar ao Teatro Guaíra, no centro de Curitiba, local onde foram diplomados, e alguns chegaram a ser agredidos na saída. Os gritos de "vergonha" partiram de cerca de 50 manifestantes, que mostraram o descontentamento pelo aumento de subsídios dos parlamentares. Na saída, uma pessoa deu um tapa no deputado federal eleito Reinhold Stephanes (PMDB). Houve muitos empurrões e confusão. A Polícia Militar precisou reforçar o contingente para controlar os ânimos. "Enquanto fazem seu movimento a gente respeita, mas agredir na ética, na moral, na dignidade, é difícil aceitar", reclamou o deputado. Ele disse que revidou a agressão física. "Isso não é democracia, é bagunça, é falta de respeito." O deputado estadual reeleito Antonio Anibelli (PMDB) foi atingido por ovos e farinha. Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a entrada no prédio foi permitida somente a quem tinha convites. Os gritos não pararam durante toda a solenidade, embora nada fosse ouvido dentro. Muitos dos manifestantes usaram bolas vermelhas no nariz. O governador reeleito, Roberto Requião (PMDB), fez coro aos manifestantes, mas ampliou as críticas. "A origem do salário absurdo está no Judiciário e no Ministério Público", atacou. "Não sei por que bater só no Congresso. Todos têm que apanhar da mesma maneira." Segundo ele, o subsídio justo é "o melhor que se puder pagar para todos os trabalhadores de nível universitário que estão no Estado, no Judiciário e no Ministério Público". "A decisão do STF (que não referendou o reajuste por erro processual) não deve nos desmobilizar", disse o jornalista Creso Moraes, líder da manifestação. Ele reclamou também por ser barrada a entrada no Teatro Guaíra. "É a elitização de um ato público", afirmou. Alguns até tentaram forçar a passagem, mas foram contidos pelos seguranças. A Polícia Militar acabou fazendo um cordão na entrada para evitar confrontos. Um dos manifestantes vestiu-se com uma máscara de macaco e distribuiu um folheto "lançando" a candidatura para as próximas eleições, com o número 171, do Partido da Quimera Parlamentar (PQP). "Prometo dar bananas para o povão", dizia o panfleto. No final, o grupo leu o nome de todos os deputados que se reelegeram e, a cada um, o grito: "Ladrão".

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