Protestos marcam dia de luta contra aids no País

Protestos por todo o País marcaram o Dia Nacional de Articulação e Mobilização de Luta contra a Aids. Em Salvador, representantes de 15 entidades do Fórum Baiano de ONGs reuniram hoje 60 pessoas para a manifestação em frente ao prédio da Secretaria Municipal de Saúde, na capital baiana. Eles protestam contra a falta de remédios usados no tratamento de doenças oportunistas de soropositivos. Segundo Javier Angonoa, membro do fórum há mais de três anos, os quatro mil soropositivos de Salvador não recebem os remédios nos postos da prefeitura. "É um grande desgaste emocional a gente rodar pelos postos e nunca encontrar medicamentos como bactrim e paracetamol dos mais simples e baratos", reclamou, informando que a Secretaria Municipal de Salvador nunca explicou porque não disponibiliza os remédios. "O curioso é que nos quatro hospitais referenciados para o tratamento da aids em Salvador, os medicamentos contra a aids, que são os mais caros, fornecidos pelo Ministério da Saúde nunca faltaram; nós sempre recebemos de graça". No Rio de Janeiro, integrantes de ONGs que defendem os direitos dos soropositivos fizeram hoje um protesto em frente ao Fórum do Rio para reivindicar medicamentos para doenças oportunistas e kits para medição de carga viral, CD 4 e CD 8. Eles aproveitaram a oportunidade para reclamar da carência de acompanhamento das mulheres portadoras do vírus HIV que estão grávidas e da inexistência de casas de apoio para pessoas doentes que não têm onde ficar. Segundo os manifestantes, existem remédios que são distribuídos sem a regularidade necessária há mais de dois anos. Eles contam que muitas vezes têm de entrar na Justiça para recebê-los, e que o governo estadual descumpre as sentenças. Atualmente, estariam em falta o Aciclovir (para herpes) e a Cefalexina (antibiótico). Em Manaus, cerca de 100 pessoas lideradas por oito organizações não-governamentais e pela Associação Amazonense de Gays, Lésbicas e Travestis (AAGLT) fizeram manifestação na Praça do Congresso, bem no centro da cidade, contra a falta de assistência médica dedicada pelo Governo Estadual aos portadores do vírus da aids. Com apoio de grupos teatrais, encenaram peças sobre o tema, exibiram cartazes e distribuíram folhetos acompanhados de preservativos. A manifestação, segundo os organizadores, foi muito boa e, apesar de o número de manifestantes não ter sido expressivo, eles alegam que seus objetivos foram plenamente alcançados. "Estamos em uma praça central da cidade, com intensa movimentação de pessoas. Com isso, creio que atingimos o nosso objetivo principal, que é chamar a atenção da opinião pública para um problema tão grave", explicou Júlio Rodrigues, presidente da ONG Catiró, uma das organizadoras do evento.

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