Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Com adesão da oposição, atos focam em impeachment

PM diz que participação superou a de abril; Aécio (PSDB) usou carro de som para criticar Dilma; Lula foi um dos principais alvos em Brasília, SP e RJ; Sérgio Moro ganhou apoio e virou ‘herói’

O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2015 | 17h38

Atualizado às 21h33

Pela terceira vez neste ano, milhares de brasileiros tomaram as ruas do País para protestar contra a gestão Dilma Rousseff, o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Líderes dos partidos de oposição tomaram parte nas manifestações de maneira ostensiva e engrossaram os pedidos de impeachment da presidente. 

As manifestações em todo o País também se transformaram em atos de apoio à Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobrás. 

Na avaliação do Palácio do Planalto, os protestos deste domingo trazem preocupação ao governo porque encamparam a pauta do impeachment e escolheram Dilma e Lula como os principais alvos das críticas, sátiras e ofensas.

Conforme números da PM, a quantidade de pessoas nas ruas superou a manifestação do dia 12 de abril, mas ficou abaixo da registrada em 15 de março. Neste domingo, ao menos 790 mil engrossaram os protestos em diversas cidades, contra 660 mil de abril e 1,9 milhão de março. 

Todos os Estados do Brasil registraram algum tipo de protesto. Em Belo Horizonte, o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB e candidato derrotado por Dilma em outubro do ano passado, subiu em um carro de som dos manifestantes e discursou contra o governo.

Em São Paulo, onde o senador tucano José Serra também participou dos atos, cerca de 350 mil manifestantes ocuparam a Avenida Paulista, segundo a PM – número também superior ao registrado em abril no mesmo local.

Instituto. Em frente ao Instituto Lula, a CUT organizou um ato de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Inicialmente, PMs que trabalhavam no local contabilizaram 1.500 pessoas, mais tarde em nota divulgada nesta noite o órgão falou em 600 pessoas. Kim Kataguiri, um dos líderes do Movimento Brasil Livre, fez projeção de mobilização de 1 milhão de pessoas em todo o País. "Esperamos reunir hoje um milhão de pessoas em todo o Brasil. Nossa projeção é que seja maior que o último,  mas menor que a primeira manifestação do ano."

O senador José Serra (PSDB-SP) chegou por volta das 16 horas à Avenida Paulista, região central de São Paulo, e deu uma volta em torno do carro de som do movimento Vem Pra Rua. Foi muito assediado e teve o nome conclamado pelos ativistas. "A manifestação é uma demonstração de impaciência. As pessoas ficam muito contentes de me ver aqui. Quase a totalidade são meus eleitores. A manifestação é pacífica, sem governo ou sindicato por trás. Nas manifestações antigas, eu me lembro, tinha governo, sindicato, patrocínio. Eu me lembro. Hoje, não tem. Não tem partido. É um imenso grau de espontaneidade", exaltou. 

No Rio de Janeiro, o ato começou por volta de 11h e percorreu cerca de dois quilômetros na pista junto à areia da praia da Avenida Atlântica. Um homem foi agredido e teve de deixar o local com escolta da polícia após manifestar apoio a Dilma e Lula. Na capital mineira, reunidos na Praça da Liberdade, cerca de 6 mil pessoas participaram da manifestação, segundo a Polícia Militar. 

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) esteve no ato e fez um curtíssimo pronunciamento carro de som, dizendo apenas que "o Brasil despertou. Chega de corrupção. O meu partido é o Brasil". Pessoas protestam em frente à casa onde a presidente Dilma Rousseff morou, em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Em Vitória, cinco trios elétricos chamaram a atenção das pessoas com músicas de letras contra o PT. A Polícia Militar informou que aproximadamente 20 mil pessoas participavam do até no meio da tarde. 

Na região Norte, sob um calor de 36º, aproximadamente 600 manifestantes pediam o impeachment da presidente Dilma Rousseff ou a intervenção militar, em Manaus. Eles se reuniram a partir das 14h, na Avenida Eduardo Ribeiro, região central, para iniciar passeata contra o governo. O baixo número de integrantes nos primeiros momentos fez com que os manifestantes se igualassem em número com o contingente da Polícia Militar, de 650 oficiais. Oferecidas pelos organizadores do protesto, mais de dez faixas com mensagens contra o PT foram distribuídas. Entre os movimentos presentes na concentração da passeata estavam adeptos de intervenção militar, parlamentaristas, membros da Maçonaria, movimentos estudantis, entre outros.

De acordo com a Polícia Militar, cerca de 2 mil pessoas participaram da manifestação em Porto Velho (RO). O movimento teve início às 17 horas, na Praça das Três Caixas D'Água, zona central da capital e seguiu pelas principais avenidas portovelhenses.

No município de Ariquemes, a Organização Não-Governamental Viva Mais encabeçou a manifestação pelas principais ruas da cidade. De acordo com o presidente da entidade, Rick Graeff, cerca de 100 pessoas participaram da passeata. "Não foi o nosso esperado. Na última manifestação, quase três mil pessoas participaram, dessa vez o público foi muito menor, mas estamos fazendo a nossa parte e lutando por um Brasil melhor", reforçou Rick. As cidades de Presidente Médici e Vilhena também anunciaram que iriam participar da manifestação, mas não houve presença da população para registro do manifesto.

Na capital de Roraima, 24 bandas de rock se revezam desde 2h em uma tenda montada na Praça do Centro Cívico, no centro da cidade, no evento "Rock Contra a Corrupção". 

O movimento esperava a participação de cerca de 10 mil pessoas. Também sob o efeito do calor, o amapaense não se animou a ir para protestar na rua. A concentração começou às 15h na Praça da Bandeira e de lá, por volta das 16h, os poucos manifestantes, sem faixas e cartazes e com um pequeno carro de som, saíram percorrendo as principais ruas do centro de Macapá. Nenhum político compareceu. De acordo com a Polícia Militar apenas cem pessoas participam do ato. 

No Rio Grande do Sul, o Movimento Brasil Livre diminuiu o trajeto previsto da caminhada devido ao número de participantes. Enquanto estimam um público entre 30 mil para 50 mil, a Brigada Militar fala em 20 mil.

No protesto, não houve citação ao pacote de elevação de carga tributária que deve ser apresentado pelo governador Ivo Sartori (PMDB) nesta semana. Os participantes da mobilização na capital gaúcha defendem um processo de impeachment contra a presidente. A crise financeira vivida pelo Rio Grande do Sul, que resultou no parcelamento de salários do funcionalismo estadual em julho, motivou inúmeros protestos de servidores nas últimas semanas e provocou questionamentos à gestão do governador nas redes sociais.

Em Curitiba a manifestação reuniu 60 mil pessoas, segundo a Polícia Militar e também a organização. Essa foi a terceira manifestação na capital paranaense, a primeira reuniu 80 mil pessoas segundo a PM e 100 mil pelos organizadores, já a segunda teve 40 mil segundo a PM e 60 mil pela organização. O protesto - que durou duas horas e meia - foi promovido pelas redes sociais e iniciou às 14 horas, dominou a área central da capital e teve quatro carros de som que também pediam apoio popular por meio de assinaturas às “10 medidas contra a corrupção”, espécie de cartilha lançada pelo Ministério Público e que pode virar um projeto de lei.

Em Florianópolis, a passeata teve como destino a sede do Tribunal de Justiça, na avenida Beira-Mar Norte. Diferente do dia 15 de março, quando uma chuva forte atrapalhou a manifestação, neste domingo há sol e temperatura alta, o que favorece a adesão anti-PT. Os protestos foram organizados por três grupos civis, o Movimento Brasil Livre, o Vem Pra Rua e os Revoltados online. Em cima do carro de som do MBL, desfilou o senador Na capital do Paraná, a manifestação iniciou pouco depois das 14 horas. Na região central da cidade, onde se realizam os principais atos políticos no Estado, o Movimento Brasil Livre saiu em passeata para a Boca Maldita. A PM informou que aproximadamente 20 mil pessoas fizeram todo o trajeto.

No Nordeste, o protesto na capital maranhense começou com a participação de 500 pessoas, segundo a Polícia Militar do Maranhão. Quatro trios elétricos puxavam os gritos de ordem.O percurso do protesto em São Luís tem a extensão de 1,8 km. Os manifestantes em Recife começaram a se dispersar por volta das 14h. A mobilização, que começou às 9h, percorreu cerca de 3,5 quilômetros ao longo da Avenida Boa Viagem e, segundo os organizadores, reuniu cerca de 20 mil pessoas. A polícia não divulgou uma estimativa. 

De acordo com a Polícia Militar, o protesto em Fortaleza reuniu 15 mil pessoas. Paulo Angelim, coordenador do Instituto Democracia e Ética, uma das entidades responsáveis pela organização, disse que rasgaria o diploma de arquiteto se no ponto mais alto da manifestação não tivessem 50 mil pessoas.O deputado federal Jair Bolsonaro participou do ato e defendeu a cassação da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer.

No exterior, os protestos em Paris e Nova York reuniram poucas pessoas. Na Times Square, um grupo reduzido pedia intervenção militar no Brasil. Na capital francesa, cerca de 20 pessoas protestaram em frente à embaixada do Brasil. O grupo disse não pertencer a nenhum dos movimentos que organizaram os protestos em território brasileiro.

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