Protestos devem gerar avanço de direitos, diz Carvalho

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, reconheceu nesta sexta-feira, 21, que os governantes têm de ter "suficiente autocrítica" para compreender as manifestações que tomam conta das ruas das principais cidades do País.

RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

21 Junho 2013 | 14h57

"Estamos vivendo um momento muito particular para o País. Nós temos de ter suficiente autocrítica, abertura de espírito para perceber o que as manifestações estão nos dizendo. E nós temos de ser capazes de entender essa mensagem e fazer com que esse movimento se canalize para o bem do País, para o avanço dos direitos, para a conquista de serviços de um tipo de governo que, de fato, atenda à necessidade do povo", disse o ministro, durante reunião preparatória para a Jornada Mundial da Juventude, que ocorrerá de 23 a 28 de julho no Rio de Janeiro. O evento é organizado pela Igreja Católica.

Na edição desta sexta o jornal O Estado de S.Paulo aponta que o governo tem dificuldades para tratar o movimento. A presidente se irritou com a postura do presidente do PT, Rui Falcão, que conclamou militantes para uma passeata. Os manifestantes rejeitaram a presença de partidos e petistas acabaram hostilizados. "Sem partido", repetiam manifestantes contrários à partidarização.

"Quando se grita ''sem partido'', nós vemos aí um grande pedido. E não há democracia sem partido. Não há democracia sem uma forma mínima de instituição. Sem partido, no fundo, é ditadura. Temos de ficar muito atentos a isso. Então, é um momento de celebrar e, ao mesmo tempo, é um momento de apreensão e de convidar a sociedade para que haja uma disputa pela democracia de verdade, que se faça representar por partidos que, de fato, representem o povo e que não compactuem com a corrupção", afirmou o ministro.

Crítica à imprensa

Para o ministro, "a classe política paga o preço por isso (pelos protestos)" e a imprensa é responsável pela descrença da população com a política. "A imprensa teve um papel nesse sentido, de estimular um tipo de moralismo no sentido despolitizado e um tipo de antipolítica, que leva a isso que está acontecendo também", declarou.

E prosseguiu: "então também aqueles que o tempo todo verbalizaram esse tipo de posição têm responsabilidade por esse aspecto destrutivo que está aí e não adianta virem agora celebrar só a manifestação e não se darem conta que também são responsáveis por isso que está ocorrendo".

Na avaliação de Carvalho, o País enfrenta um "momento muito delicado", e a Jornada Mundial da Juventude se enquadra no contexto. "Tomara que continuem as manifestações, mas que sejam num clima de paz, de maturidade e aí a Jornada pode dar uma contribuição importante do ponto de vista do sonho, da utopia, da construção do novo, de emergência da juventude. Temos de nos empenhar para que a Jornada ocorra nas melhores condições possíveis e seja, de fato, um fato nessa escalada positiva que o País e que a América Latina querem construir", concluiu o ministro.

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