Protestos contra Sarney custam a sair da internet

Manifestações convocadas pelo Twitter levaram poucos às ruas do Rio e de SP, mas fizeram barulho

Clarissa Oliveira e Felipe Werneck, O Estadao de S.Paulo

02 de julho de 2009 | 00h00

Depois de atraírem milhares de seguidores na rede de microblogs Twitter, protestos convocados para pedir a saída do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), tiveram dificuldade para fazer a transição da internet para o mundo real. Quem aderiu às manifestações não escondia a decepção com o número reduzido de participantes. Ainda assim, os jovens fizeram barulho.Em São Paulo, apenas cerca de 50 pessoas se dirigiram ao Masp no início da noite. "Por enquanto, está decepcionante", disse a designer Deborah Faleiros, de 24 anos, por volta das 19 horas, horário agendado para o início do ato. Cerca de meia hora depois, ela acabou tirando da mochila um cartaz com a inscrição "Brasil, o castelo da mãe Joana", numa referência ao deputado Edmar Moreira (sem partido-MG), cujo pedido de cassação foi rejeitado pelo Conselho de Ética da Câmara. E embarcou no protesto. "Com pouca gente ou muita, minha indignação é real", disse Deborah, que escalou a amiga produtora de eventos Lia Rodrigues, de 24 anos, para engrossar o coro. A manifestação na capital paulista demorou para começar e terminou rápido. Após quase meia hora aguardando a chegada de mais gente, o apresentador de televisão Felipe Solari encarregou-se de puxar o grito contra o presidente do Senado. Os jovens cruzaram a Avenida Paulista quando o semáforo fechou, entoando o grito "Ei, ei, ei, cadeia para o Sarney". "Falta uma cultura de protesto no Brasil", reconheceu Solari, que em seguida amenizou: "Somos poucos, mais somos bons." Entre as causas da baixa adesão, segundo ele, certamente estava a final da Copa do Brasil, entre Corinthians e Inter.No Rio, o movimento "Fora Sarney" reuniu na Cinelândia apenas 26 "seguidores", termo usado para denominar usuários do Twitter que acompanham um determinado perfil. O vocalista do Detonautas, Tico Santa Cruz, era um deles. Nenhum vereador apareceu. "O Brasil ainda não entendeu que é pelas ruas que a gente muda as coisas. É triste ver que as pessoas se mobilizam para jogo de futebol e para ir a show, mas não para exercer a democracia", declarou o vocalista, que vestia uma camiseta preta com as palavras "Senado Federal Vergonha Nacional". O grupo fez barulho, com apitos, durante cerca de uma hora. Manifestantes gritavam frases como "Sarney, ladrão, prisão é a solução". Cartazes com arte gráfica inspirada na que foi usada na campanha presidencial de Barack Obama nos Estados Unidos mostravam o rosto de Sarney com a palavra "Fora". Durante o ato, foram distribuídos panfletos do PSOL. A estudante de nutrição Juliana Ferrigno, de 21 anos, cantou a letra de Que País é este?, da Legião Urbana. "O movimento começou na internet e não tem uma liderança. Estamos dando o primeiro passo para ver se as pessoas acordam."

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