Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Protestos contra governo reúnem centenas em Londres e Nova York

Brasileiros e turistas gritaram 'Fora Dilma' e pediram pelo fim da corrupção; na capital britânica houve princípio de confusão; ato reuniu menos de 20 em Paris

Fernando Nakagawa, Altamiro Silva Junior e Andrei Netto, correspondentes , O Estado de S. Paulo

15 de março de 2015 | 14h58

Atualizado às 18h14

Londres, Nova York e Paris - Os protestos contra o governo de Dilma Rousseff também atraíram manifestantes em Londres e Nova York, neste domingo, 15. Em Londres, cerca de 100 pessoas ficaram em frente ao prédio da embaixada brasileira. No Brasil, há registros de protestos em diversas capitais e cidades do interior.

O grupo ficou no local por três horas. Durante o ato, policiais britânicos retiraram um cartaz preso no brasão da República instalado na porta principal do edifício e houve pequena confusão. Minutos depois os três policiais retiraram um cartaz com os dizeres "Fora Dilma, PT e Foro. Olavo tá certo". O texto fazia menção ao Foro de São Paulo, evento de esquerda que aconteceu na década de 1990, e ao autor Olavo de Carvalho.

O cartaz foi retirado pelo policiais com o argumento de que poderia causar dano ao edifício e o objeto foi devolvido aos manifestantes. Nesse momento, alguns manifestantes passaram a pedir a recolocação do cartaz e uma das presentes passou a cobrir a lente de uma das câmeras de televisão que faziam a cobertura no local. "Vocês só querem mostrar os problemas", disse a senhora que não se identificou.

As manifestações na Europa haviam sido convocadas pelo movimento Vem pra Rua, que anunciou a organização de pelo menos quatro protestos: em Bruxelas, na Bélgica, em Zurique, na Suíça, em Londres, na Inglaterra, e em Lisboa, em Portugal. Em Paris, a manifestação teve menos de 20 participantes, entre residentes na França e turistas.

Na capital francesa, um pequeno grupo de pessoas se reuniu próximo à embaixada empunhando cartazes contra a corrupção e pedindo a punição de políticos que tenham participado de esquemas de desvios de verbas públicas. Eles empunhavam cartazes contra o que consideram a corrupção generalizada e suprapartidária. Entre as mensagens havia "Fora Dilma", "No corruption", "Acorda Brasil" e "Reforma política já". 

"Nós decidimos reunir a comunidade do Brasil que também está descontente com tudo que tem acontecido no País. Mesmo que seja simbólico, a gente que expressar nosso apoio ao povo que está indo às ruas hoje e dizendo 'Eu quero mudança'", afirmou o fisioterapeuta Bruce Bravad. "A corrupção e a impunidade precisam receber uma resposta à altura do que está acontecendo no nosso país."

Para Mariana Camargo, é necessário mobilizar-se porque "os governantes não têm o menor respeito pelo povo e governam para eles mesmos e não para aqueles que o elegeram". "Minha pátria é o Brasil e enquanto eu estiver viva eu vou lutar por ela", disse a advogada. "É mais do que tristeza; é uma revolta."

Em Nova York, em meio a gritos de "Fora PT, leva a Dilma com você", cerca de 100 pessoas na Union Square, uma praça em Manhattan. O protesto durou uma hora e meia e atraiu principalmente brasileiros que moram nos Estados Unidos, além de alguns estudantes e turistas que visitam a cidade.

Os manifestantes cantaram o hino nacional e seguravam placas com pedidos de impeachment de Dilma, de intervenção militar e o fim da corrupção. Além disso, gritavam "fora Dilma" e "basta de corrupção".

"É preciso uma moralização geral no Brasil, no Congresso, no Planalto, no Judiciário. O país está entregue às baratas", disse aos jornalistas, Jaime Pereira, de 54 anos, que tem uma empresa de turismo nos EUA. Ele mora no país há 20 anos e ficou sabendo do protesto pelas redes sociais. "O Brasil está nas mãos de corruptos. Queremos duas coisas. O impeachment e a moralização."

O cabeleireiro Umberto Guimarães, de 49 anos, que mora há 14 anos nos EUA, segurava um cartaz pedindo intervenção militar imediata no Brasil. "É a única solução para o país. Na época dos militares não havia corrupção", disse aos repórteres que cobriam a manifestação.

Já a paulistana Tassia Pavezi, há 7 anos nos EUA, é contra a intervenção militar, mas se diz decepcionada com o PT e a corrupção no Brasil. Ela segurava um cartaz, escrito em inglês, falando que a eleição presidencial do ano passado foi uma fraude. Tassia disse que já votou uma vez em Luiz Inácio Lula da Silva, mas depois que ele assumiu a presidência da República foi uma sucessão de mentiras.

A manifestação em Nova York teve até um princípio de confusão, quando uma militante do PSOL que passava pela rua gritou que defendia a democracia. Quando foi abordada por jornalistas, ela foi hostilizada por algumas pessoas que protestavam. Um dos manifestantes gritou "vai para Cuba".


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