Protestos abrem caminho para terceiras vias, dizem especialistas

A avaliação é que os nomes como os de Marina Silva e Eduardo Campos podem se beneficiar mais do descontentamento com classe política demonstrado nas ruas

Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

06 de julho de 2013 | 23h44

Especialistas avaliam que a onda de protestos que abalou o País no último mês beneficiem as candidaturas de nomes que se apresentem como "terceiras vias" nas eleições de 2014. Eles esboçam suas projeções com base na última pesquisa Datafolha, divulgada na semana passada, que registrou a queda de 21 pontos porcentuais nas intenções de voto da presidente Dilma Rousseff e um crescimento da ex-senadora Marina Silva de 16% para 23%. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), oscilou na margem de erro, de 6% para 7%. 

A avaliação é que os nomes que podem se beneficiar mais do descontentamento com classe política - demonstrado nas ruas pelas manifestações -, devem ser mesmo Marina e Campos porque os protestos desgastaram mais os partidos que protagonizam a principal polarização no cenário político atual: o PT e o PSDB. Segundo especialistas ouvidos pelo Estado, há mais espaço para que surjam novas forças políticas. 

"Os protestos apontam para uma necessidade de novas lideranças que despolarizem a política brasileira. Há espaço para isso", afirmou o professor de Ciências Políticas da Unesp Milton Lahuerta. "Marina já está se beneficiando com isso (protestos). Ela não faz parte dos partidos tradicionais e tem posições que coincidem com as demandas apresentadas pelos manifestantes", disse o cientista político da UNB David Fleischer. Especialistas, no entanto, avaliam que há risco de a ex-senadora perder a preferência do eleitorado por ser evangélica. 

Eduardo Campos também tem o mesmo espaço que Marina para calibrar o discurso e construir sua imagem para as eleições. O governador de Pernambuco, porém, ainda não se apresentou ao eleitorado, na análise  do professor João Roberto Martins, da UFSCar. Justamente por isso, a intenção de voto em Campos avançou pouco depois dos protestos. "Eduardo Campos ainda não se manifestou. Mas é possível que ele seja a alternativa", pontuou Martins.

A ex-senadora tem sido o maior polo de atração das intenções de voto porque, de acordo com a avaliação de especialistas, ela tem um discurso mais afinado copm o dos manifestantes e com as demandas por ele levadas às ruas. "Marina cresceu nas intenções por causa da conexão que ela tem com o eleitorado mais jovem. Pode ser que ela se beneficie mais", disse o professor da Fundação Escola de Sociologia de São Paulo Aldo Fornazieri.

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