Protesto do MST fecha três estradas no RS

O MST bloqueou por cerca de 19 minutos, nesta manhã, três rodovias no Rio Grande do Sul. Segundo a entidade, os protestos, para marcar os seis anos do massacre de Eldorado dos Carajás (PA), no qual morreram 19 sem-terra, atingiram a BR 290 em dois pontos, nos municípios de Arroio dos Ratos e Eldorado do Sul, a BR 386, em Nova Santa Rita, e a BR 293, em Hulha Negra. Como parte dos protestos, o MST deveria ter iniciado ontem uma marcha em Hulha Negra, na região sul do Estado, mas os manifestantes caminharam por cerca de 30 metros e foram impedidos de prosseguir por fazendeiros locais, que organizaram um bloqueio na BR 293. O impasse terminou por volta das 12h de hoje, após negociação entre os dois grupos. Os sem-terra definiram a retomada da caminhada às 14h, depois que os fazendeiros concordaram com um roteiro previamente combinado, disse Antoninho Mattes, um dos coordenadores da marcha. O acordo prevê o deslocamento do MST entre Hulha Negra e a localidade de Passo do Neto, a 15 quilômetros de distância, onde os sem-terra ficarão acampados em uma área de assentamento rural. A solução negociada foi obtida depois que o MST havia apresentado esta manhã um pedido de habeas-corpus à Justiça Federal em Bagé, a 383 quilômetros de Porto Alegre, para garantir a realização da caminhada. Segundo o MST, cerca de 500 famílias integram a marcha. Antes disso, a advogada do MST Soraia Mendes havia explicado que o pedido de habeas-corpus visava a "garantir o direito de ir e vir" e foi o último recurso jurídico disponível, depois de petições ao Ministério Público Federal e Estadual para assegurar a continuidade da caminhada. O diretor jurídico da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Nestor Hein, afirmou que os fazendeiros agiam de forma autônoma. "A Farsul não pode patrocinar nada fora da legalidade", declarou. "Os integrantes do MST foram à Justiça fazer o mesmo que os fazendeiros quando são invadidos", analisou. Para ele, neste caso o critério da Justiça deveria ser o mesmo adotado durante as invasões. "Não pode haver para os invasores 72 horas de prazo e para os fazendeiros cumprimento imediato", afirmou.

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