João Renato Jácome
João Renato Jácome

Protesto de caminhoneiros afeta distribuição de gasolina no Acre

Em Rio Branco, há registro de falta de combustível devido às manifestações em rodovias; há pontos de concentração nas rodovias de Rondônia

João Renato Jácome, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2021 | 17h38

RIO BRANCO – Os protestos dos caminhoneiros, atualmente mantidos nas BRs-364 e 421, em Rondônia, já começam a causar prejuízos à população do Acre, onde há falta de gasolina aditivada. A rodovia federal BR-364 é a única via de acesso do Estado acreano ao restante do País.

O movimento dos caminhoneiros ocorre desde a quarta-feira, 8, em defesa do governo Jair Bolsonaro e contra o valor dos combustíveis e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Acre (Sindepac) confirmou nesta manhã a falta de gasolina em Rio Branco, a capital do Estado.

“Os postos estavam com dificuldades de comprar novos estoques em Rondônia devido a esses bloqueios, mas alguns estabelecimentos do Acre tinham combustíveis disponíveis por pelo menos dois dias. Se o bloqueio continuar, é possível que comece a faltar a gasolina comum”, informou o sindicato.

Apesar do Ministério da Infraestrutura afirmar que o número de ocorrências em rodovias federais caiu 70% na comparação entre o mesmo período de sexta e quinta, e que só há pontos de concentração no RS, SC e RO, mas sem interrupção do fluxo, imagens dessa manhã mostram bloqueios nas rodovias em Rondônia, onde apenas caminhões com carga perecível são autorizados a seguir viagem.

O caminhoneiro Felix Santana, de 43 anos, chegou a Rio Branco por volta das 12h30min, e precisou esperar por mais de três horas na fila, até esclarecer os motivos que o obrigavam a seguir viagem. “Fui parado perto de Rolim de Moura, e não queriam deixar passar. Expliquei a carga, precisei mostrar, mas isso depois fila de veículos. Deixaram desviar e passar depois disso”, afirma.

O professor José Rêgo Alencar, de 52 anos, também conseguiu seguir viagem para Vilhena, na divisa de Rondônia com o Mato Grosso, mas comenta que chegou a ser parado e ficou mais de uma hora na fila. “Eles estão fazendo uma espécie de rodízio. A Polícia Rodoviária Federal está lá, mas não interfere em nada, só observa mesmo. Deixaram passar e depois fecharam de novo quando acabou a fila”, explica. 

As interdições nas rodovias que cortam Rondônia continuam mesmo após o pedido do presidente Jair Bolsonaro para que se encerrassem os atos, justificando que os bloqueios atrapalham a economia e “prejudica todo mundo, em especial, os mais pobres”. Apesar de ter ocorrido uma redução nos bloqueios, ainda há manifestações.

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