Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Protesto anti-Alckmin acaba em tumulto em São Paulo

Movimentos reúnem 1,5 mil pessoas, segundo a PM; Câmara é invadida e, na Assembleia, houve confronto entre manifestantes e o Choque

O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2013 | 00h16

Um ato convocado pelo Sindicato dos Metroviários de São Paulo, com apoio do Movimento Passe Livre (MPL), para protestar contra o suposto cartel em licitações do Metrô e da CPTM se tornou ontem uma manifestação contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB). O protesto terminou no início da noite em confronto e invasão da Câmara por um grupo de anarquistas e estudantes. Também houve tumulto na Assembleia Legislativa, com atuação da Tropa de Choque da Polícia contra manifestantes.

Cerca de 1,5 mil pessoas participaram do ato organizado pelo Sindicato dos Metroviários no centro, segundo a PM– eram 2,5 mil na versão dos organizadores. Apesar de os metroviários sustentarem que o protesto não era contra o PSDB ou o governador, o coro “Fora, Alckmin” dominou o evento.

A PM confirmou à noite que três pessoas foram presas – “por danos ao patrimônio, desacato, apologia ao crime e porte de entorpecente” – e cinco policiais ficaram feridos. A polícia não informou o número de manifestantes feridos. Na Assembleia, três pessoas foram atendidas no ambulatório, com ferimentos. Os feridos prometem fazer hoje boletim de ocorrência na delegacia de polícia da Casa. O ato na Assembleia for organizado pela CUT, PT e movimentos populares que pediam o impeachment do governador Alckmin.

Já o ato organizado pelos metroviários começou às 15h no Vale do Anhangabaú. Seguiu até a Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos. Em frente ao prédio, um grupo pôs fogo numa catraca e num boneco que representava um empresário do transporte. Os manifestantes tentaram entregar uma carta ao secretário Jurandir Fernandes, mas foram recebidos pelo chefe de gabinete. A carta pede o fim da corrupção, a devolução do dinheiro desviado e a prisão dos envolvidos no suposto cartel.

Invasão. Ao final do ato, encerrado na Praça da Sé, cerca de 400 manifestantes seguiram para a Câmara. Alguns jogaram pedras e bombas no prédio, estilhaçando vidros e ferindo alguns policiais. À frente do grupo, anarquistas forçaram a entrada, atirando objetos e forçando as grades. A PM reforçou a segurança e utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Manifestantes quebraram lixeiras públicas e puseram fogo em sacos de lixo. A Tropa de Choque foi acionada.

Aproximadamente 40 manifestantes ocuparam a Casa, por volta das 19h. Havia poucos policiais à frente do prédio. Parte do grupo foi autorizado a entrar e outros invadiram. Os manifestantes apresentaram pautas variadas como o passe livre para estudantes, acesso a documentos da CPI dos Transportes e a estatização do setor. Eles bateram boca com o presidente da casa, José Américo (PT).

O vereador definiu como um “cavalo de pau político-ideológico” o fato de um ato contra um esquema no Metrô chegar à Câmara. José Américo se comprometeu a fazer uma audiência pública na próxima quinta-feira.

Outros focos. A Polícia Militar informou que, após a confusão em frente à Câmara, grupos menores saíram pela cidade. Um deles, segundo a PM, quebrou os vidros de uma agência bancária na Avenida Liberdade. Houve um protesto à noite em frente ao Masp, sem tumultos.

A manifestação no centro da capital contra o governador foi puxada por organizações de esquerda que se juntaram ao ato, como as juventudes do PSTU e PSOL e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Elas levaram faixas contra o tucano. “Por 20 centavos derrubamos a tarifa. Por R$ 425 milhões derrubaremos o Alckmin”, dizia uma bandeira. O valor é referência a uma das estimativas do sobrepreço oriundo da suposta formação de cartel denunciado pela empresa alemã Siemens.

Interpretações. “Combinamos de fazer uma luta contra a máfia dos transportes. As pessoas é que entenderam que o governador é uma das principais figuras desse processo. Acho que isso é correto, mas não é só ele”, disse o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres. O MPL afirmou que o “Fora, Alckmin” não é sua pauta. “Não adianta cair o governador. Isso não vai mudar a lógica do sistema dos transportes que privilegia o lucro dos empresários e não as necessidades dos usuários”, disse Nina Cappello, representante do movimento. Os petistas que pretendiam usar o protesto para desgastar Alckmin não compareceram. / ARTUR RODRIGUES, DIEGO ZANCHETTA, FERNANDO GALLO, ISADORA PERON e PEDRO VENCESLAU

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