Protecionismo americano compromete a Alca, diz FHC

O presidente Fernando Henrique Cardoso voltou aenfatizar hoje que o processo de negociação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) será comprometido pelas iniciativas protecionistasdos Estados Unidos. FHC destacou, entretanto, que a instância pararesolver as diferenças do Brasil com o governo americano, por conta daadoção de medidas de salvaguarda às importações de produtossiderúrgicos, será a Organização Mundial do Comércio (OMC). Entretanto,deixou nas mãos dos empresários a decisão de levar a queixa formalmenteà OMC."A instância para resolver essa questão é a OMC. Mas isso depende dadecisão dos empresários brasileiros, que o governo do Brasil estariasempre disposto a apoiar fortemente", afirmou o presidente. "Há umsentimento generalizado de que não é possível propor a Alca e ao mesmotempo aumentar o protecionismo", emendou em seguida.FHC enfatizou que a medida americana é "injusta" e que o Brasil jáapresentou os dados que comprovam os prejuízos ao País. Indicou aindaque a opinião pública, dentro dos Estados Unidos e em nível mundial,deverá influir na decisão do governo americano de manter essainiciativa. Conforme lembrou, os prejuízos provocados pelassalvaguardas não atingem somente os exportadores do Brasil e de outrospaíses produtores do setor siderúrgico. Mas atingem especialmente asindústrias americanas processadoras do aço. A briga deflagrada pela iniciativa americana, disse ele, nãoenvolve apenas nações, mas empresários de diferentes setores dentro deum mesmo país. De acordo com seu raciocínio, também envolve a coerênciaentre idéias propagadas e a prática das negociações comerciais."Essa não é só uma briga de um país contra outro país, mas uma brigade empresários de um setor com empresários de outros setores. Também éuma briga da visão de que é melhor ter mais livre o comércio contra avisão protecionista", afirmou. ConvêniosHoje, o presidente assinou sete convênios e um acordo para a reduçãode tarifas de importação com o governo chileno, na cidade de Arica, aoNorte do país. Negociado ao longo dos dois últimos anos, o acertocomercial envolve os setores automotivo, agropecuário e químico edeverá, conforme os cálculos da chanceleria do Chile, favorecer a cercade 20% das trocas de bens entre os dois países. Os termos do acordosomente serão postos em prática depois da aprovação pelos demais sóciosdo Mercosul e da protocolização na Associação Latino-americana deIntegração. Os demais acordos abrangem as áreas de previdência social e a cooperação no uso pacífico de energia nuclear, na área científica etecnológica, entre as agências espaciais, entre entidadesrepresentativas de micro e pequenas empresas e no desenvolvimentoagropecuário.

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