Protecionismo ameaça economias emergentes, diz Lula ao 'WSJ'

Entre as medidas citadas pelo presidente está a cláusula 'Buy America' do último pacote de estímulo dos EUA

Agência Estado,

11 de março de 2009 | 14h12

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista ao Wall Street Journal, criticou duramente as recentes medidas protecionistas tomadas por nações que normalmente promovem o livre comércio. Na entrevista realizada na terça-feira, 10, Lula disse que uma crescente onda de protecionismo das nações mais ricas do mundo ameaça as economias emergentes. Entre as medidas citadas por Lula está a cláusula "Buy America" do último pacote de estímulo aprovado no Congresso americano, apesar de ter sido modificada para garantir que os EUA cumpram as regras do comércio internacional.   Lula destacou que o controle do protecionismo será o tema prioritário a ser debatido na reunião agendada com o presidente Barack Obama no próximo sábado. "O protecionismo pode parecer benéfico num primeiro momento, mas, no longo prazo, ele afeta os países, sobretudo as nações pobres que têm de vender as suas mercadorias para os países ricos." O presidente prometeu tentar influenciar os EUA a adotar um acordo de livre comércio com a Colômbia, mesmo que isso possa prejudicar algumas das exportações do Brasil para mercado americano.   O presidente brasileiro tem cada vez mais se posicionado como um defensor mundial dos países emergentes em fóruns, como a reunião de líderes do G-20, que ocorrerá em abril, em Londres.   Lula também disse que espera que as políticas do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para o Brasil sejam melhores do que as do ex-presidente George W. Bush, a poucos dias do primeiro encontro entre os dois líderes. "As políticas de Bush para o Brasil eram dignas. Mas acredito que elas serão infinitamente melhores com Obama", afirmou Lula.   Segundo o Journal, a trajetória de Lula até o poder e a origem humilde do presidente aumentaram as expectativas de que ele conseguirá estabelecer um relacionamento especialmente produtivo com Obama, cujo passado também não previa a chegada ao poder.   Lula alertou que a crise financeira mundial ameaça o crescimento econômico que foi reduzindo a pobreza nos países em desenvolvimento, e apelou por ajuda financeira e outras medidas a fim de impedir a propagação dos efeitos da crise.   "Nós não podemos aceitar a ideia de que, por causa da irresponsabilidade dos banqueiros e de alguns dirigentes, que não fiscalizaram e não regulamentaram, o resto do mundo acabe pagando a conta e, sobretudo, os seus pobres", afirmou o presidente.    Na reunião com Obama, Lula disse que pretende discutir propostas que poderão ser abordadas na reunião do G-20. Entre elas estão a retomada das negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC), novas medidas a fim de evitar políticas comerciais protecionistas, diretrizes mais rigorosas para regular as instituições financeiras, incluindo os limites de alavancagem, e a promessa das nações ricas de aumentar o crédito para exportação e outras atividades nas nações em desenvolvimento. As informações são da Dow Jones.

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