Propostas para a Saúde diferem mais nos discursos que nas ideias

Coordenadores dos programas de saúde dos presidenciáveis participaram de debate na BA

Tiago Décimo, correspondente de O Estado de S.Paulo,

26 de agosto de 2010 | 12h13

SALVADOR - Um debate entre os coordenadores dos programas de saúde dos quatro principais candidatos a presidente - Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) -, promovido na quarta-feira, 25, no I Congresso Brasileiro de Política, Planejamento e Gestão em Saúde, realizado em Salvador, mostrou que as diferenças entre as propostas entre os candidatos está mais no discurso que nas ideias.

 

"É animador saber que temos muita convergência, que estamos todos no mesmo caminho", avalia o coordenador de saúde da campanha do PSDB, Renilson Rehem de Souza. "Isso dá esperança de que consigamos soluções suprapartidárias."

 

Todos pregaram a necessidade de fortalecimento dos sistemas de atenção básica à saúde, como o Programa Saúde da Família, e questionaram os modelos de repasses de dinheiro público para instituições de saúde privadas. Além disso, defenderam mais recursos para o setor - e elegeram a regulamentação da Emenda Constitucional 29/2000 (PEC 29) como a melhor forma de se obter fonte de investimento.

 

"Mesmo assim, sempre haverá falta de recursos, é um problema que existe em qualquer lugar e sempre vai existir", pondera o coordenador de saúde da campanha de Marina Silva, Eduardo Jorge.

 

Entre os programas expostos à plateia, o mais detalhado foi o da campanha de José Serra. Na proposta, nove "compromissos", entre eles um plano de investimentos de R$ 15 bilhões, dos quais R$ 3 bilhões em ampliação da rede de saneamento básico, com foco em pequenos municípios das Regiões Norte e Nordeste.

 

O coordenador do programa de Saúde da petista Dilma Rousseff, o candidato a senador por Pernambuco Humberto Costa, admitiu que o projeto da candidata para o setor ainda não está pronto. "O programa final deve ser apresentado à sociedade no início de setembro", disse.

 

Apesar disso, apresentou um elenco de 13 estratégias que estão sendo discutidas pelo partido - entre eles a adoção de um serviço civil obrigatório para estudantes de cursos superiores na área de saúde - modelo também apoiado pela campanha do PV.

 

A apresentação mais "diferente" do debate ficou para o Lúcio Borges Barcelos, ex-secretário municipal da Saúde de Porto Alegre e coordenador do projeto de saúde do candidato Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). "Nosso programa é fazer um sistema de saúde público e estatal e investir na pesquisa e na produção de medicamentos", disse. "Temos de tirar a saúde do mercado."

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