Proposta da reforma tributária está pronta, diz Lula

Presidente diz, durante reunião com empresários, que, 'da parte do governo, não há nenhum senão ao projeto'

Lu Aiko Otta, do Estadão

24 de outubro de 2007 | 19h42

A proposta de reforma tributária está pronta, no que se refere ao governo federal. A informação foi dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um grupo de cerca de 100 empresários com quem se reuniu esta manhã. "Da parte do governo federal, não tem nenhum senão à reforma tributária", disse. "Vamos mandá-la ao Congresso no momento em que entendermos que o Congresso está pronto para votar e que os governadores vão aceitar."  Veja também:  Entenda a cobrança da CPMF  Empresários criticam a CPMF antes da reunião com Lula  Lula disse aos empresários que eles podem ajudar a impulsionar a reforma. Respondendo às cobranças de reforma trabalhista, Lula comentou que ela só sairá quando houver um entendimento mínimo entre empregados e empregadores. "É uma coisa que não está bem digerida", admitiu.  Durante a reunião, no entanto, não tratou da CPMF na reunião com empresários  no Palácio do Planalto, e defendeu a carga tributária para dar continuidade aos programas sociais de transferência de renda do governo, segundo relato do presidente da Votorantim Industrial, José Roberto Ermírio de Moraes Neto, presente no encontro. "O presidente Lula reconhece que o Brasil, no momento, ainda precisa desta carga tributária", disse o empresário.  Menor carga tributária e redução gradual da alíquota da CPMF estavam entre as reivindicações dos empresários. Depois de quase três horas de encontro, o discurso mudou. Empresários saíram do Palácio elogiando o presidente e a iniciativa de chamá-los para uma reunião. Eles relataram que a questão do imposto do cheque não foi tratada "em momento algum" do encontro. Durante a reunião, o presidente não teria ouvido queixas de excesso de impostos. Lula não comentou nem ouviu comentários sobre a proposta de prorrogação da vigência da CPMF até 2011, relatou um participante do encontro. No discurso durante a reunião, Lula se apresentou como um "animador" de platéia, segundo avaliação de um empresário. O presidente disse que os empresários tinham de ter confiança e perder o complexo de inferioridade nas disputas comerciais no exterior. "Ele (Lula) disse que os empresários brasileiros tinham de ser otimistas, deixar o negativismo", relatou um empresário, sem esconder que gostou do discurso do presidente. Também foi discutida a reforma tributária no encontro. Segundo José Ermírio, do ponto de vista do governo, a proposta está pronta, e agora é preciso tratar do assunto com Estados e municípios. Além da reforma tributária, o presidente e os empresários trataram de também da reforma trabalhista. Lula, segundo relato de participantes, observou que a reforma trabalhista ainda precisa de alguns ajustes. Os empresários se queixaram a Lula do excesso de burocracia e citaram como exemplo o fato de que, para alguém comprar um carro, leva dez dias e, para comprar um imóvel, no mínimo 40 dias. E disseram ainda que Lula pediu a todos que continuem investindo e procurem novas alternativas de mercado para a venda de seus produtos no Exterior. Segundo o relato, Lula citou como exemplo a Indonésia, país que visitará em 2008 e que tem uma balança comercial com o Brasil de apenas US$ 1 bilhão.

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