Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

'Proponho que pensemos algo próximo ao semipresidencialismo', propõe Gilmar Mendes

Na opinião do presidente do TSE, esse modelo de governo blindaria o País das crises que se repetem

Altamiro Silva Junior, Francisco Carlos de Assis e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2017 | 11h41

SÃO PAULO - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou que é importante "discutir e rediscutir" o sistema de governo no Brasil e propôs, durante discurso no Fórum Estadão que discute a reforma política, a adoção no País de "algo próximo ao semipresidencialismo".

Gilmar Mendes afirmou que é importante pensar em um sistema que blinde o País de crises que se repetem. "Só dois presidentes terminaram o mandato", disse o ministro citando os dois impeachments que ocorreram no Brasil desde a redemocratização. "Esse dado sugere uma grande instabilidade no sistema."

Para ele, um semipresidencialismo preserva a figura do presidente da República. "A presidência ficaria com a chefia de Estado e com o poder moderador", disse Gilmar Mendes. "Que combine essa estrutura antiga do nosso modelo presidencial com o parlamentarismo. Que permitisse que as questões de governo ficassem entregues a um primeiro-ministro."

"Ilude-se quem fala que o Parlamento brasileiro hoje é fraco", afirmou o presidente do TSE. "Todavia, a sua atuação muitas vezes se dá por mera provocação." Para ele, se o sistema de governo não mudar para a eleição de 2018, que seja alterado para 2022. "Um regime que de certa forma já efetivasse o que ocorre na prática. E que sistematizasse uma blindagem que evitasse a contaminação, separasse as crises de governo das crises de Estado."

"Devemos engajar esforços e energias na reforma política", disse o ministro ao encerrar o discurso, recebendo vaias por parte da plateia. Um grupo de pessoas levantou cartazes pedindo o impeachment do ministro e que a Operação Lava Jato seja preservada. Um dos manifestantes usava um nariz de palhaço. Após a saída do ministro do auditório, o grupo seguiu o presidente do TSE pedindo sua saída e uma "faxina geral" em Brasília. 

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