Propina pagou campanha em Taubaté-SP, afirma MP

Dinheiro desviado do Tesouro de Taubaté (SP) cobriu despesas de campanha eleitoral do prefeito Roberto Peixoto (PMDB), revela o Ministério Público Estadual. Em ação civil, na qual imputa improbidade ao peemedebista e prejuízo superior a R$ 7 milhões ao erário na contratação sem licitação de empresas para gerenciamento e distribuição de medicamentos para a rede pública, a promotoria sustenta que "parte dos recursos desviados dos cofres públicos de Taubaté serviu para custear os gastos da campanha eleitoral do prefeito".

AE, Agência Estado

27 de junho de 2011 | 10h58

A ação indica que Peixoto e outros alvos da Operação Urupês - investigação da Polícia Federal que levou Peixoto à prisão por quatro dias, na semana passada - montaram "típica organização criminosa, associaram-se em quadrilha para o fim de cometer crimes mediante fraudes em licitações, processos de dispensa de licitação, majorando as despesas da municipalidade e propiciando que o excesso fosse rateado na forma de propina". Esses valores, na eleição de 2008, teriam abastecido caixa do prefeito, em forma de doações.

O prefeito e a mulher, Luciana, foram presos e indiciados pela PF por corrupção, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e quadrilha. Também foi detido o contador Carlos Anderson, ex-chefe do departamento de compras da prefeitura. A PF aponta "absurdos cometidos pelo Executivo municipal".

Após quatro dias na Custódia da PF, de onde saiu na noite de sexta-feira, Peixoto planeja retornar hoje ao cargo. A oposição marcou manifestação no centro por sua renúncia. Ele afasta essa possibilidade. "Claro que nós vamos continuar", disse, à porta da PF. "Existe conspiração política. Não fiz nada de errado, não existe nada que comprove. Tenho projetos a serem realizados."

"É necessário muito mais que presunção para se manter uma pessoa na prisão", adverte o criminalista Alfredo Rodrigues, advogado do prefeito. "Medida excepcional, como prisão, exige prova concreta. É inquestionável que não existe uma única prova contra o dr. Peixoto. Estamos à disposição da PF, para qualquer ato policial."

O advogado Erich Castilhos, também defensor de Peixoto, foi taxativo. "O prefeito está muito tranquilo, não há nenhum desmando, nenhum ato ilícito praticado. Todas as diligências não produziram nenhuma evidência contra o prefeito." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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