Propina incluía receita da cidade

Em Campestre, DVD pode custar mandato do prefeito

Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2009 | 00h00

Um dos casos mais impressionantes levantados pela Justiça Eleitoral em Alagoas ocorreu em Campestre. O prefeito eleito, Gilvan Cabeção (PT do B), teria oferecido a um de seus adversários duas secretarias de governo, propina mensal de até R$ 100 mil e, para espanto do Ministério Público, três meses de arrecadação municipal.As provas do suborno - cenas gravadas em DVD - são contundentes, dizem as autoridades, e Cabeção está entre os prefeitos que ainda podem perder o mandato.Outro exemplo de fraude tem como palco o município de Branquinha, onde a Polícia Federal prendeu, em 6 de janeiro, parte de uma quadrilha comandada pela família da prefeita eleita, Ana Renata Freitas (PMDB). Foram detidos José Jéferson da Silva, filho da presidente da Câmara Municipal, Lúcia Leite, e um tio dela, que reside em Murici. Outro filho de Lúcia, Anderson Kleber da Silva, conhecido como Klebinho, presidente da Câmara Municipal de Conceição da Barra, no Espírito Santo, também foi indiciado.Os três são acusados de intermediação da venda de pelo menos 650 votos de cortadores de cana de Alagoas, que durante a eleição estavam trabalhando no Espírito Santo. Os votos foram computados em favor de Ana Renata, que venceu a disputa contra Carlos Eduardo Baltar Maia (PTB), por 600 votos de diferença. Houve denúncia de importação de outros eleitores de Murici e União dos Palmares.DEFESAO advogado Cauby de Freitas Filho, que defende os familiares da prefeita de Branquinha, informou que as acusações se basearam em boatos e, por falta de provas, todos já foram libertados. Ele destacou, ainda, que a inocência da prefeita será provada e "nada vai tirá-la do cargo para o qual foi eleita, diplomada e empossada".O prefeito de Campestre não foi localizado para comentar a denúncia. Funcionários da prefeitura informaram que ele estava em missão fora do município. Na defesa prévia apresentada à Justiça Eleitoral, Gilvan Cabeção alega que a gravação em DVD - em que ele aparece tentando subornar o candidato adversário, Gervásio Santos - teria sido uma montagem para incriminá-lo.

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