Propina da Telecom Itália pode, enfim, ser investigada

Itamaraty vai pedir à Justiça italiana informações sobre quem a empresa teria subornado no Brasil

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

14 de julho de 2008 | 00h00

Ainda que por um processo burocrático e muito lento, o Itamaraty dá nesta semana a partida para uma providência que deve, finalmente, apontar quais os brasileiros - entre parlamentares, lobistas e funcionários da Polícia Federal e da Polícia Civil de São Paulo - que podem ter recebido propina da Telecom Itália entre 2003 e 2006.A informação da propina surgiu em investigação do Ministério Público de Milão, no ano passado, e foi confirmada em depoimentos de funcionários da Telecom Itália - um deles afirmou que parte do dinheiro teria sido usada para subornar parlamentares da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara.A comissão, onde é discutida previamente a legislação que regula os negócios das empresas de telecomunicações, decidiu pedir informações à Justiça italiana sobre quais seriam os parlamentares subornados e aprovou um requerimento em novembro do ano passado. Esse requerimento deveria ter sido encaminhado ao Itamaraty, depois do parecer da Procuradoria Parlamentar, mas ficou oito meses na gaveta.Segundo o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), por causa da Operação Satiagraha, da Polícia Federal - que prendeu na semana passada o sócio-fundador do Opportunity, Daniel Dantas, ex-controlador da Brasil Telecom (BrT), empresa rival da Telecom Itália -, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), desengavetou o parecer da procuradoria."Felizmente, no final da semana passada, o presidente Chinaglia despachou e encaminhou ao Itamaraty", disse. O Itamaraty vai agora enviar o pedido de informações da comissão à Justiça italiana. Quando a Itália responder, a Embaixada do Brasil em Roma encaminhará a resposta à Câmara.O escândalo das propinas estourou quando a Procuradoria de Milão e o juiz Giuseppe Gennari tomaram os depoimentos de dois altos funcionários da Telecom Itália - Giuliano Tavaroli e Angelo Jannone -, além da tradutora brasileira Luciane Araújo.Na disputa com a BrT de Dantas, eles disseram que a Telecom Itália mantinha um esquema de pagamento de propinas no Brasil. Em um dos relatos da investigação italiana foi descrita a operação de um emissário da empresa que desembarcou em Brasília, em abril de 2003, transportando US$ 300 mil. Esse dinheiro teria sido entregue a duas pessoas, em um hotel da capital federal.

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