Propaganda do PT cita licitação do metrô

A propaganda do PT no horário eleitoral gratuito exibido na noite de hoje explorou a denúncia de suposta irregularidade no processo de licitação dos lotes 3 a 8 da Linha 5 - Lilás do metrô de São Paulo e cobrou do candidato do PSDB, José Serra, explicação sobre o episódio. Reportagem divulgada hoje pelo jornal "Folha de S. Paulo" mostrou que os consórcios vencedores teriam sido escolhidos quase seis meses antes da divulgação do resultado, feita na quinta-feira. Na época do lançamento da licitação, Serra era o governador de São Paulo. "Serra terá de explicar a denúncia feita hoje pelo jornal ''Folha de S. Paulo''", cobrou o locutor. "Um negócio de R$ 4 bilhões", ressaltou. No restante da peça, foram mostrados trechos do debate realizado na noite de ontem (25) na TV Record.

GUSTAVO URIBE, Agência Estado

26 de outubro de 2010 | 21h56

Além da nova denúncia, a peça do PT voltou a criticar o candidato do PSDB em decorrência de suposto desvio de dinheiro de recursos arrecadados para a campanha do candidato. O responsável pelo desvio teria sido o engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da Dersa. A candidata do PT acusou o PSDB de encobrir e esconder o caso. "O que dizer do Paulo Preto, que não só não depõe mas, quando ameaça, vocês recuam, encobrem e escondem o que ele faz", criticou a petista, que comparou o episódio às denúncias de tráfico de influência que envolveram a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. "A atitude do governo de investigar e punir é que importa. Tem gente que investiga e pune. Tem gente que acoberta", provocou.

A peça do PT rebateu ainda acusação feita pelo PSDB, na inserção veiculada ontem (25), de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou a exploração do petróleo brasileiro a 108 empresas, 55 nacionais e 53 estrangeiras. De acordo com o locutor, Serra tentou "confundir" o eleitorado. "As regras que permitem a exploração de petróleo por empresas estrangeiras foram estabelecidas pelo governo tucano e não valem para o pré-sal", afirmou, tendo a explicação endossada por discurso da candidata do PT no debate da Record. "A questão é que no modelo anterior tudo ficava pra empresa privada estrangeira ou para qualquer empresa. Agora não."

A petista adotou mais uma vez a estratégia da comparação entre os governos do PT e do PSDB à frente do Palácio do Planalto e criticou a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) por ter gerado, segundo ela, apenas 5 milhões de empregos com carteira assinada. "Nós geramos, aproximadamente, 15 milhões. Três vezes mais", ressaltou. Como na manhã de hoje, a peça da candidata exibiu direito de resposta do PSDB por ter acusado a campanha do candidato José Serra de receber financiamento ilegal. "É mentira. Serra tem uma vida limpa e sempre fez campanhas transparentes e legítimas", destacou um locutor. "Não é assim, divulgando mentiras, que se faz campanha política. Não é isso que o eleitor espera dos candidatos."

Assim como a inserção do PT, a peça do PSDB repetiu a propaganda exibida no início da tarde, na qual imagens do debate da Rede Record foram utilizadas à exaustão. No evento em questão, o candidato do PSDB voltou a criticar a relação entre Dilma Rousseff e Erenice Guerra, que foi braço direito da candidata quando Dilma estava à frente da Casa Civil. "Ela teve como braço direito, durante sua gestão na Casa Civil, uma mulher que montou amplo esquema de corrupção e está respondendo por isso", acusou Serra, que apontou a petista como principal responsável pela indicação da ex-subordinada à chefia da pasta. "Além do mais foi a mulher, a Erenice, que a Dilma deixou pra ocupar o lugar dela. Foi a Dilma que influenciou essa escolha", ressaltou.

Ainda nas críticas, o tucano voltou a acusar o governo do PT de ter sido a gestão que mais privatizou a exploração do petróleo brasileiro. De acordo com o candidato, quando a presidenciável comandava o Conselho de Administração da Petrobras entregou concessões a 108 empresas privadas. "Se isto é privatizar, o que ela mais fez foi privatizar petróleo", provocou o tucano. "Mais ainda: cedeu até para uma multinacional, a White Martins, a sociedade que a Petrobras ficou minoritária, de fornecimento de gás liquefeito para empresas, para uma empresa estrangeira", afirmou o candidato, que teve os ataques reforçados pelo locutor da propaganda do PSDB. "Dilma acusa Serra por algo que ele não fez e não vai fazer. Mas que ela, Dilma, está fazendo há muito tempo", criticou. "Deve ser por isso que a Dilma está acusando o Serra."

O candidato do PSDB defendeu ainda o desmatamento zero na Amazônia e ressaltou que foi responsável, quando estava no comando do Palácio dos Bandeirantes, por um projeto de lei de mudanças climáticas considerado "o melhor do hemisfério sul". No tema ambiental, também sobraram críticas para o governo federal. O locutor da peça acusou a gestão do PT de fazer festa por lançar o programa de biodiesel de mamona, uma iniciativa que, segundo o PSDB, foi abandonada no meio do caminho, levando muita gente ao prejuízo. "Biodiesel que é bom, nada", criticou.

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