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Promotoria vai apurar agressão a fotógrafo que parece Lula

Beto Novaes, do jornal Estado de Minas, foi alvo de chutes enquanto captava cenas do protesto em Belo Horizonte

Leonardo Augusto, especial para O Estado, O Estado de S. Paulo

13 Abril 2015 | 22h11

Belo Horizonte - O Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais pediu à Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público Estadual a abertura de investigação sobre agressão sofrida pelo fotógrafo Beto Novaes, do jornal Estado de Minas, durante a cobertura da manifestação contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT), domingo, 12, em Belo Horizonte.

Beto, que tem semelhanças físicas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contou ter ouvido, desde o começo da cobertura, por volta das 10h, pedidos para que deixasse o local da concentração do evento - na Praça da Liberdade, região centro-sul da capital mineira. 

“No início da tarde, ao atender solicitação de uma manifestante para que tirasse uma foto ao seu lado, fui agredido com chutes por um grupo de pessoas”, contou o fotógrafo. 

Depois de relatar o episódio ao comando do seu jornal, Beto retornou à redação. A ocorrência não foi registrada na polícia. 

A assessoria do Ministério Público confirmou o recebimento do pedido de investigação e informou que a promotoria irá avaliar os procedimentos a serem tomados. O primeiro poderá ser um pedido de apuração policial. 

Segundo o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Kerison Lopes, a agressão ao fotógrafo do Estado de Minas é o “ápice da irracionalidade”. “Beto foi agredido única e exclusivamente pelo fato de se parecer com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou. Lopes disse ainda que já foi solicitada também audiência na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa para tratar do caso.

Hostilidades. Em nota conjunta, o Sindicato dos Jornalistas e a Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos de Minas Gerais (Arfoc) afirmam que outros profissionais de imprensa foram hostilizados na manifestação de domingo, sem, no entanto, agressões físicas. O texto afirma que todos os relatos serão encaminhados para investigação.

Exclusão. O coordenador do Movimento Vem Pra Rua em Minas - principal organizador de protestos contra Dilma e p PT no Estado -, Daniel Dayrell, descarta que integrantes do grupo tenham participado das agressões ao fotógrafo. “Nas redes sociais, quando percebemos que alguém se altera, fazemos um pedido para que mude o comportamento. Caso não dê resultado, a pessoa é excluída do grupo”, disse Dayrell. 

O Estado de Minas, em nota, repudiou a agressão e destacou que “o direito de informar, sem qualquer tipo de cerceamento ou intimidação, é prerrogativa da liberdade de expressão”.

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