André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Promotoria investiga se Anastasia se beneficiou de desapropriação

Ministério Público de Minas abre inquérito para apurar cessão de posse de terreno para centro administrativo do Estado

Leonardo Augusto, ESPECIAL PARA O ESTADO

06 Agosto 2016 | 02h31

BELO HORIZONTE - O Ministério Público de Minas Gerais instaurou investigação para apurar se o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) se beneficiou da desapropriação de terreno utilizado na construção da Cidade Administrativa, a sede do governo do Estado.

A área, de 830 mil metros quadrados, pertencia ao Jockey Club de Minas Gerais, que tinha Anastasia como sócio e conselheiro deliberativo. O valor pago pelo Estado foi de R$ 24 milhões. As investigações tiveram início a partir de denúncia feita por deputados estaduais do PT.

Conforme descrição do inquérito pela promotoria, “trata-se de representação noticiando suposta irregularidade no processo de desapropriação da área onde está situada a Cidade Administrativa”.

Anastasia foi secretário de Planejamento no primeiro mandato do atual senador Aécio Neves (PSDB) como governador de Minas, de 2003 a 2006 – quando o terreno foi desapropriado. Segundo a representação à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, Anastasia na época participou “simultaneamente do processo de desapropriação como desapropriado e desapropriante”e “sendo cotista proprietário foi o beneficiário direto do valor a ser pago pela desapropriação da área”.

Aécio foi reeleito tendo Anastasia como vice na chapa. Ele assumiu o governo estadual em março de 2010, quando Aécio deixou o cargo e disputou o Senado. Por sua vez, Anastasia foi reeleito governador naquele mesmo ano.

A Cidade Administrativa foi inaugurada em março de 2010. O valor gasto declarado oficialmente à época foi de R$ 1,2 bilhão. O pagamento da desapropriação ao Jockey Club também ocorreu em 2010.

Anastasia, que é relator do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff no Senado, nega que tenha se beneficiado na negociação. Em nota, ele disse que era sócio da entidade desde 1985 e que doou sua cota ao governo de Minas em 2008. Anastasia disse ainda que “considera importante que o Ministério Público investigue o caso “para que mais uma vez sua lisura e correção possa ser reconhecida e atestada”.

Segundo o diretor do Jockey Club de Minas Gerais, Marcio Ávila, a entidade é sem fins lucrativos e nunca houve repasse de recursos financeiros a qualquer sócio do clube. Segundo ele, em uma reforma estatutária feita há cerca de 10 anos, Anastasia teve o nome incluído em documentação como conselheiro da entidade, mas que ninguém no Jockey sabe dizer se o hoje senador aceitou realmente ser conselheiro da entidade.

O governo de Minas não se posicionou sobre a investigação.

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