Promotoria chegou a pedir buscas na casa de amigo de Lula, em Campinas

Para Ministério Público Estadual José Carlos Bumlai está envolvido no suposto esquema de fraudes da administração municipal

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo

25 de maio de 2011 | 23h00

O Ministério Público Estadual chegou a pedir mandado de busca e apreensão nos endereços do empresário José Carlos Bumlai, amigo e anfitrião do ex-presidente Lula. Os promotores do Gaeco, grupo que investiga crime organizado e corrupção, estão convencidos de que Bumlai está envolvido no suposto esquema de fraudes em Campinas.

 

Ao decretar a prisão de 20 suspeitos, na sexta feira, o juiz Nelson Augusto Bernardes, da 3.ª Vara Criminal, pediu "maiores esclarecimentos" quanto à necessidade inclusive da detenção do empresário. "A sua situação precisa, então, ser melhor esclarecida para eventual decreto de sua prisão temporária. O mesmo raciocínio vale para a busca pretendida em sua casa."

 

Os promotores consideram "medida imprescindível ao desfecho dos trabalhos" a inspeção nos endereços de Bumlai. Ao todo, eles pediram autorização para vasculhar domicílios de 22 alvos da investigação, além de gabinetes na Prefeitura, "para tentar localizar produtos dos atos criminosos praticados e, eventualmente, bens, materiais e documentos que auxiliem na apuração do caso".

 

Dirceu. O juiz autorizou buscas em 15 endereços. Bumlai foi excluído dessa lista. O empresário é citado em escuta telefônica que pegou um advogado e Luiz Castrillon de Aquino, delator das fraudes. Na conversa gravada, Aquino diz que Bumlai estaria interessado em fazer delação premiada para "proteger Lula". Ele cita o nome do empresário Italo Barioni, do grupo brasileiro Contem, em Campinas, usada por um amigo do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) na aquisição da Contem Canada Inc.

 

"Alguns diálogos telefônicos demonstraram que Ítalo Barioni, supostamente agindo em nome de Bumlai, tentou colher informações junto a Aquino a respeito da delação premiada", assinala relatório da promotoria. "Aparentemente, o intuito seria preservar a ligação do empresário com o outrora presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas não se afasta a possibilidade da investida ser mais uma tentativa de descobrir o teor das informações prestadas por Aquino e comprometer a continuidade da investigação."

 

O juiz Nelson Bernardes destacou que os telefones de Bumlai não foram interceptados.

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