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Promotoria apura internação de Olavo de Carvalho em hospital público

Escritor deu entrada no InCor após mal-estar súbito em voo; documento diz que, se procedimento foi irregular, SUS terá de ser ressarcido

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2021 | 21h22
Atualizado 16 de julho de 2021 | 10h43

SÃO PAULO - A Promotoria de Justiça de Direitos Humanos do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para apurar se houve algum tipo de irregularidade na internação do escritor e influenciador bolsonarista Olavo de Carvalho, de 74 anos, no Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Em nota, o HC disse que “o Ministério Público solicitou informações sobre o paciente e que irá prestar todos os esclarecimentos que lhe cabem no prazo estipulado”.

Olavo de Carvalho foi internado no local, que integra a rede pública, após um “mal-estar súbito” em um voo entre os Estados Unidos e o Brasil no último dia 8, segundo boletim divulgado pelo hospital. O boletim dizia ainda que ele chegou à unidade em uma ambulância UTI móvel. 

No inquérito, aberto segunda-feira, 12, foram usadas como base reportagens do jornal Folha de S.Paulo e do portal Metrópoles, que informaram que o escritor viria para o País para dar continuidade a um tratamento médico e que ele já tinha uma consulta agendada com um especialista do hospital.

“O ponto central deste procedimento, portanto, não é questionar, de forma alguma, o tratamento do paciente por meio do SUS. Busca-se investigar, somente, se efetivamente a situação clínica do paciente era adequada para que fosse atendido, na forma da urgência/emergência, no pronto-socorro do InCor e internado imediatamente naquele hospital”, diz o documento, assinado pelo promotor Arthur Pinto Filho.

Segundo o inquérito, o paciente só deveria ser encaminhado para o hospital sem passar pela central de regulação de leitos em caso de emergência. Fora de um quadro urgente, ainda de acordo com o documento, o caminho para dar entrada em um hospital do Sistema Único de Saúde (SUS) seria por meio de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde seria avaliado por um médico e encaminhado para a unidade mais adequada para realizar o tratamento.

"Poderia, portanto, até ser encaminhado ao InCor, desde que sua patologia indicasse este hospital como adequado para seu tratamento. E aguardaria vaga, como fazem todos os pacientes do nosso sistema único."

A atividade de Carvalho nas redes sociais também chamou a atenção da promotoria. “Há que anotar que, não obstante internado por conta de eventual emergência  médica, o paciente continuou e continua bastante ativo em suas mídias sociais, comentando questões políticas, dando notícias acerca de sua situação, etc. Situação bastante peculiar para quem foi internado por estar em situação grave de saúde.”

O texto informa ainda que “se, eventualmente, a internação no InCor foi irregular, os gastos do SUS com o paciente deverão ser ressarcidos, além de outras medidas judiciais, sempre por meio de ação civil pública”.

Para apuração dos fatos, a promotoria solicitou que a empresa aérea informe se houve necessidade de atendimento médico ou se a tripulação foi comunicada sobre alguma ocorrência de saúde relacionada ao paciente. Além disso, imagens do desembarque de Carvalho e entrada na ambulância.

O boletim médico mais recente sobre o estado de saúde de Olavo de Carvalho, divulgado na terça-feira, dizia que ele permanecia internado e “evolui consciente, comunicativo e com quadro clínico estável”. Também que continua “sob tratamento medicamentoso para infecção, compensação cardíaca e hemodinâmica, assim como em exames de diagnóstico, para a definição de conduta terapêutica”. O próximo boletim só será divulgado quando ele tiver alta hospitalar, cuja data ainda não foi definida.

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