Promotoria acusa governador do Amapá de tentar comprar votos para candidato em Macapá

Ministério Público Eleitoral entrou com Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra o governador Waldez Góes (PDT) e o candidato do PMDB Gilvam Borges

Alciéa Cavalcante, especial para O Estado, O Estado de S. Paulo

01 de outubro de 2016 | 17h33

Macapá - O Ministério Público Eleitoral protocolou neste sábado, 1, ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) contra o candidato a prefeitode Macapá Gilvam Borges (PMDB), seu vice, Adiomar Veronese (PROS), o governador Waldez Góes (PDT) e o presidente da Associação dos Sem Casa do Amapá (ASCEA), Carlos José Gomes da Silva, conhecido por Açaituba. Eles são acusados de abuso de poder político e captação ilícita de votos.

De acordo com a denúncia, o governador Waldez Góes teria prometido doar terrenos aos membros da ASCEA em troca de votos para Gilvam Borges. A ação é assinada pela promotora eleitoral Andréa Guedes. Ela anexou à denúncia imagens de uma reunião onde o assunto foi tratado, além de áudios. Segundo o MPE, o governador Waldez Góes doaria 900 terrenos aos membros da Ascea em troca de votos para Borges.

Na quarta-feira, 28, o governador recebeu em seu gabinete uma comissão da Associação para tratar disso. A área – que seria dividida em 900 lotes – é abrangida pelo decreto presidencial de repasse de terras da União para o Estado. 

No mesmo dia, à noite, Borges reuniu-se com cerca de 400 membros da Associação. Participaram ainda da reunião o secretário de  Estado de Transportes, ex-deputado Jorge Amanajás, e o deputado federal Roberto Góes (PDT), primo do governador. A equipe do inteligência do MPE se infiltrou e gravou a reunião, na qual, segundo a promotora Andréa Guedes, “foi feita a divulgação dessa pretensa doação de lotes, com o objetivo de obter os votos dos beneficiados.” 

O MPE teve acesso também a um áudio do presidente da ASCEA. Na ação, a promotora enfatiza que  ele, o presidente,  “foi categórico e enfático em exigir que os associados cumpram  ‘com o dever de casa, no dia 2 de outubro’, ou seja, votem nos candidatos apoiados pelo governador do Estado, fato este que possui potencialidade a ensejar vícios no resultado das eleições municipais”. 

Em outro trecho, ela diz que “não resta dúvida que o compromisso firmado pelo governador do Estado do Amapá com os associados da ASCEA, teve como objetivo principal a obtenção de votos em benefício dos representados Gilvam Borges e Adiomar Veronese, de modo a desequilibrar a corrida eleitoral em face dos candidatos que não lançam mão de tais expedientes”.

Em face das denúncia, o MPE  a cassação do registro  de candidatura  de Gilvam Borges e seu vice, Adiomar Veronese, e que seja declarada a inelegibilidade deles dois, do governador Waldez Góes e do presidente da ASCEA por 8 anos.

Em nota, a coligação encabeçada por Gilvam Borges classificou de “pirotécnica” a ação do MPE e acusou a promotora Andréa Guedes de criar “factoide para tentar enodoar a disputa eleitoral e provocar o desequilíbrio do pleito.”

Na última pesquisa de intenção de votos do Ibope, divulgada ontem à noite,  Gilvam Borges aparece em segundo lugar (20%) empatado tecnicamente com a candidata do PRB, Aline Gurgel (17%). Em primeiro está o atual prefeito Clécio Luís (38%).

Borges é o candidato do ex-senador José Sarney e do governador Waldez Góes. Na quarta-feira, 28, pela manhã, a Polícia Federal fez busca e apreensão na Secretaria de Estado de Transportes e casa de servidores públicos, durante a operação “No Fuel”, que investiga um esquema de desvio de combustível do governo para campanhas eleitorais.

 

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