Promotores e advogados do PFL trocam acusações

Promotores que investigam as denúncias de caixa dois na coligação encabeçada pelo PFL para prefeito de Curitiba e advogados do partido trocaram acusações e discutiram, asperamente, hoje à tarde, na sede da Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público. Os advogados pretendem ter acesso aos depoimentos e documentos levantados pelos promotores.Estes, por seu lado, afirmam que a investigação está sob sigilo parcial e se recusam a fornecer os papéis. A confusão começou quando os advogados da legenda tentaram entrar na sala onde seria ouvida uma testemunha, que, segundo os promotores, pediu segredo sobre o nome e o depoimento. "Ninguém pode entrar quando está sendo feita investigação sigilosa", disse o promotor José Geraldo Gonçalves. Depois de muita discussão, foi permitida a presença do advogado Omar Elias Geha."Vou exercer minha função de advogado e virei quando for necessário", afirmou Geha. O coordenador da defesa da sigla Antônio Augusto Figueiredo Basto, também foi à Promotoria. Ele protocolou um pedido, há uma semana, para ter acesso aos documentos, mas não recebeu resposta. "É uma omissão dos procuradores, que considero abusiva", afirmou. "Queremos conhecer os documentos para poder falar mais especificamente sobre eles." Ele disse que, amanhã (07), entrará com um mandado de segurança para conseguir acesso aos papéis.O procurador Munir Gazal, a quem caberia responder à petição dos advogados da agremiação, disse que não o fez por estar doente.Segundo ele, há testemunhas com medo. Por isso, pedem que não sejam divulgados os depoimentos. A declaração foi confirmada pelo promotor José Geraldo Gonçalves. "Anteontem (04), uma testemunha disse que, se souberem que ela esteve aqui, seria morta", afirmou. Gazal disse que, se for concedido o mandado ao PFL, a responsabilidade sobre as testemunhas será do juiz. "Podem reclamar para Corregedoria, para o presidente, para Jesus Cristo; nós vamos até o fim", acentuou.Hoje, circularam comentários de que o original do livro onde está registrado o suposto movimento de caixa do partido, cuja cópia deu origem às denúncias, teria sido entregue ao Ministério Público (MP). O promotor Wanderley Carvalho da Silva espantou-se, ao ser questionado sobre o assunto, uma vez que Gonçalves preferiu dizer que esse detalhe está "sob sigilo".IroniaO prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PFL), reagiu hoje com ironia às investigações feitas pelos promotores sobre as denúncias de caixa dois na campanha pela reeleição dele. "É aquela história: os cães ladram e a caravana passa", disse. Segundo ele, o assunto está entregue aos advogados. "Estou preocupado com a administração de Curitiba", afirmou.

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