Promotores defendem frente nacional contra crime organizado

Promotores e procuradores de Justiça de todo o País, reunidos nesta sexta-feira em Belo Horizonte, defenderam a criação de uma frente nacional, formada por representantes dos ministérios públicos estaduais e por outras instituições - como as polícias Militar, Civil e Federal - como a melhor forma de combate ao crime organizado.Segundo o presidente do Conselho Nacional de Procuradores de Justiça, Cláudio Barros da Silva, com o trabalho integrado haveria melhores condições para as autoridades desbaratarem quadrilhas que agem em vários Estados e prenderem os criminosos que as chefiam."Sabemos que o crime organizado não tem fronteiras, e é justamente por isso que temos de trabalhar em conjunto", disse. "No caso da chamada máfia dos combustíveis, que adultera gasolina e frauda o fisco, há investigações em curso em mais de dez Estados, e seria importante que os promotores trocassem informações", acrescentou.O procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Nedens Ulisses Freire Vieira, que presidiu o encontro, afirmou que, além de um trabalho conjugado dos Estados, também é necessária a montagem de promotorias específicas para combater o crime organizado.No dia 29 de janeiro, o governo de Minas Gerais, em resposta ao assassinato do promotor Francisco José Lins do Rego Santos, no dia 25 em Belo Horizonte, anunciou a criação de uma Promotoria de Combate ao Crime Organizado e de uma Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado. A nova promotoria, segundo Vieira, deve entrar em operação na primeira quinzena de março.O procurador Nedens Ulisses informou nesta sexta-feira que, até a segunda semana do próximo mês, a Corregedoria do Ministério Público de Minas terá concluído as investigações sobre dois promotores de Araxá (MG), denunciados por favorecer e participar de um esquema de prostituição infantil.De acordo com Vieira, até o momento, o MP não encontrou nenhuma evidência de que os promotores da Vara de Infância e Adolescência do município Luiz Alexandre Cruz e Armando Lourenço da Silva sejam culpados. "As informações até o momento não apontam para a existência de uma rede de prostituição infantil em Araxá e muito menos para o fato de que eles estejam ligados a ela", disse.Os promotores estão sendo acusados pelo juiz da comarca de Araxá, Daniel César Botto Collaço, que fez as denúncias durante um congresso sobre Justiça na Educação, em Poços de Caldas, no dia 25 de outubro do ano passado. O magistrado, entretanto, se recusou a formalizar a denúncia a corregedores de Justiça, e o procedimento foi arquivado, sendo reaberto somente agora.Segundo os promotores acusados, a denúncia do juiz faz parte de um processo de retaliação ao Ministério Público. Os dois acusam Collaço de participar de um esquema de favorecimento de traficantes e da chamada "máfia dos caça-níqueis".

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