Promotor quer especialista suíço no cerco a Maluf

O promotor de Justiça da Cidadania de São Paulo, Silvio Antonio Marques, anunciou nesta quinta-feira que pedirá à Procuradoria-Geral do Município que contrate um advogado na Suíça para acompanhar de perto as investigações sobre o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). "O objetivo é defender os interesses de São Paulo, e vou pedir a intervenção da procuradoria nas investigações que ocorrem em Genebra."Marques suspeita de que os ativos que Maluf teria mantido na Suíça foram desviados dos cofres municipais por meio de contratos supostamente superfaturados de obras públicas. O promotor e dois procuradores da República estiveram em Berna e em Genebra para esclarecer as autoridades suíças sobre as investigações no Brasil e obter dados das supostas movimentações financeiras de Maluf na Suíça.O procurador-geral do município, Cesar Antonio Alves Cordaro, disse que o ingresso da Prefeitura nos autos da ação de seqüestro de valores de Maluf no exterior depende, inicialmente, de uma consulta à Advocacia-Geral da União (AGU). "O bloqueio de bens é medida extrema que precisa estar respaldada em provas consistentes", alertou Cordaro. "Vou tomar as providências cabíveis quando tiver em mãos documentos necessários."Sobre a contratação de advogado no exterior, o procurador observou: "Ainda não pensamos sobre esta hipótese porque dependemos de provas sobre a origem dos recursos que teriam sido enviados para fora do País."A estratégia da Promotoria da Cidadania é contar com uma representação na Suíça que saiba exatamente como funcionam as regras de lavagem de dinheiro, corrupção e enriquecimento ilícito no país europeu. Tal medida já foi adotada por Maluf, que contratou o influente escritório Schellemberg & Wittmer, estabelecido em Genebra. No caso do juiz Nicolau dos Santos Neto - ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho preso sob acusação de comandar desvio de verbas das obras do Fórum Trabalhista -, a AGU contratou um escritório na Suíça.Apesar da total independência da Procuradoria-Geral de Genebra em relação aos outros poderes, nos corredores do Palácio da Justiça advogados dos maiores escritórios de advocacia do país circulam para obter informações sobre possíveis processos contra seus clientes, o que acaba dando vantagens aos suspeitos. Além disso, muitos desses advogados que hoje defendem autores de crimes financeiros foram os mesmos que ajudaram a elaborar a lei suíça de combate à lavagem de dinheiro, em vigor desde 1997.A missão brasileira retorna sem os documentos que esperava obter. A polícia financeira de Berna aponta que Maluf manteve conta no Citibank de Genebra entre 1985 e 1997, quando teria transferido o dinheiro para a Ilha de Jersey. "Saio da Suíça com a impressão de que as autoridades locais querem colaborar", disse o procurador federal Pedro Barbosa Pereira Neto.

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