Promotor: Investigação da morte de PC foi direcionada

O promotor Marcos Mousinho disse nesta sexta-feira, 10, que a atuação dos peritos responsáveis pela investigação das mortes do empresário Paulo César Farias e da namorada dele, Suzana Marcolino, foi direcionada para comprovar a tese de crime passional. O promotor foi o primeiro a falar no quinto dia do julgamento dos quatro réus acusados de envolvimento na morte do casal, ocorrida em 1996.

CARLOS NEALDO, ESPECIAL PARA AE, Agência Estado

10 de maio de 2013 | 13h21

Mousinho atua na acusação dos quatro policiais militares e afirma que houve direcionamento nas investigações. "O próprio irmão da vítima, Augusto Farias, ligou para a família para dizer que Suzana Marcolino tinha matado Paulo César Farias e depois se matado", ressaltou. Ele defendeu ainda que o médico-legista Fortunato Badan Palhares, responsável pela perícia que concluiu pela tese de crime passional, foi induzido ao erro.

"A mente dos investigadores e dos peritos já estavam num só caminho: o de provar que Suzana tinha matado Paulo César e depois se matado", disse. "Ora, quando as próprias autoridades competentes dizem que houve suicídio, os profissionais vão trabalhar com essa hipótese."

Marcos Mousinho criticou a falta de estrutura da polícia alagoana, que sequer levou os equipamentos necessários para a realização da perícia. A água utilizada para colher resíduos nas mãos do casal, afirmou ele, foi a que estava no copo no criado-mudo de Suzana Marcolino. "Isso é uma completa falta de experiência. E se naquele copo tivesse outro produto, como veneno, por exemplo?", questionou. O promotor acusou a perícia alagoana de ser limitada.

Os policiais Adeildo Costa dos Santos, Reinaldo Correia de Lima Filho, Josemar Faustino dos Santos e José Geraldo da Silva são acusados de omissão no crime. "Eles tinham a missão de salvaguardar a integridade física do PC Farias e, se assim não o fizeram, ou é porque sabiam que o crime seria cometido e não se movimentaram para impedi-lo ou, talvez, tenham participação direta nas mortes", defendeu o promotor.

"Os PMs até alegaram que a Suzana teria assassinado o próprio namorado. Todavia, os laudos periciais que estão acostados nos autos comprovaram que a tese de homicídio seguido de suicídio está descartada", defendeu.

Depois da acusação, será a vez da defesa dos policiais fazer considerações. O juiz Maurício Brêda, que preside o Tribunal de Júri, acredita que o julgamento termine nesta sexta. Em caso de condenação, a pena dos réus pode variar entre 12 e 30 anos para cada crime.

O crime

PC Farias e Suzana Marcolino foram encontrados mortos a tiros no dia 23 de junho de 1996, na casa de praia do empresário, em Guaxuma, no litoral Norte de Alagoas. A tese sustentada pela defesa é a mesma da polícia alagoana, de que Suzana matou PC Farias e depois cometeu suicídio.

Já o Ministério Público acredita em duplo homicídio e acusa os quatro réus de coautoria do crime e omissão, já que faziam a segurança do local onde o casal morreu. Para a promotoria, a morte de PC Farias foi "queima de arquivo". O empresário foi tesoureiro da campanha de Fernando Collor (PTB), era réu em processos por crimes financeiros e foi o centro das denúncias de corrupção que resultaram no impeachment de Collor.

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