Promotor envia relatório contra indulto a ator

O promotor da Vara de Execuções Criminais de Belo Horizonte, Marco Antônio Picone Soares, remeteu hoje ao juiz da mesma jurisdição, Cássio Salomé, um parecer contrário à concessão de indulto ao ator Guilherme de Pádua, condenado, inicialmente, a 19 anos de prisão pelo assassinato da atriz Daniella Perez, em 1992. O indulto foi recomendado ao magistrado num outro relatório, elaborado pelo Conselho Penitenciário do Estado. O juiz deve decidir pelo indeferimento ou não do pedido de liberdade na próxima semana.Segundo oito dos dez integrantes do Conselho Penitenciário do Estado, que votaram pela extinção definitiva da pena de Pádua, o ator teria direito ao benefício com base num decreto presidencial de 1999. A decisão - que beneficiara Pádua, em liberdade condicional, em 2000, com a redução da punição de 19 para 14 anos -, sustenta que presos com um terço das sentenças cumpridas, não-reincidentes e com filhos menores de 12 anos - requisitos que o ator preenche - teriam direito à liberdade definitiva.A decisão do Conselho Penitenciário revoltou a mãe de Daniella, a autora de novelas Glória Perez, da Rede Globo de Televisão, que organizou um abaixo-assinado para impedir que o indulto seja concedido. Na opinião do promotor, Pádua não faz jus ao benefício por dois motivos. O primeiro é que ele não poderia ser beneficiado duas vezes pela mesma resolução.O outro é que o perdão visaria a garantir ao filho do ator a assistência paterna. Só que o sentenciado, ao pedir o ato de clemência do poder público, não teria apresentado provas inequívocas de que mantivesse "relações sócioafetivas" com a criança, que mora no Rio. Mesmo em condicional, precisando apresentar-se à Justiça de três em três meses, Pádua - que teve o garoto - hoje com 8 anos, com Paula Thomaz, também condenada pela morte de Daniella -, continua vivendo em Belo Horizonte.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.