Promotor diz que Deutsche Bank resiste em vender ações da Eucatex na ilha de Jersey

Silvio Antonio Marques disse que dinheiro desviado Maluf dos cofres de SP passou pela empresa

Fausto Macedo , O Estado de S. Paulo

05 Junho 2013 | 15h01

Texto atualizado às 16h51

SÃO PAULO - O promotor de Justiça Silvio Antonio Marques, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social (Ministério Público do Estado de São Paulo), afirmou que o Deutsche Bank, na Ilha de Jersey, está "resistindo e dificultando a venda das ações da Eucatex, da família Maluf, naquele paraíso fiscal".

"Essa resistência do Deutsche Bank pode criar problemas para a instituição financeira no Brasil porque o dinheiro desviado por Paulo Maluf dos cofres públicos municipais de São Paulo passou pelo Deutsche do Brasil", declarou Marques.

O promotor disse que tomará medidas judiciais, mas não adiantou detalhes de como pretende agir.

Por seu lado, o do Deutsche Bank informou, oficialmente. "O Deutsche Bank esclarece que tem cooperado -e continuará cooperando- com as autoridades competentes em todas as etapas da investigação deste caso."

A Corte da Ilha de Jersey já liberou 1,467 milhão de libras (cerca de R$ 4,5 milhões) de empresas offshores ligadas à família do deputado Paulo Maluf (PP-SP) para os cofres do município de São Paulo.

A liberação ocorreu na sexta feira, 24, para uma conta dos advogados da Prefeitura, em Londres. Cerca de 450 mil libras permaneceram retidos em Jersey como caução. O restante, 1.057.582,33 libras, chegaram na última sexta feira a uma conta da Prefeitura de São Paulo.

A quantia faz parte do montante global de US$ 28,3 milhões - cifra atualizada com juros e correções, além de multas - que a Corte de Jersey mandou as empresas Kildare e Durant, controladas pelos Maluf, devolverem atéo final de junho aos cofres públicos municipais.

O dinheiro das offshores está bloqueado em uma instituição financeira e será todo transferido para São Paulo.

O montante total a ser restituído ao Tesouro paulistano será obtido por meio da venda de ações da Eucatex.

Em abril, a 4.ª Vara da Fazenda Pública da Capital decidiu tornar indisponível o patrimônio da empresa da família Maluf, a Eucatex S.A. Indústria e Comércio. Aliminar concedida ao Ministério Público Estadual atinge bens até o limite de R$ 519,7 milhões.

O bloqueio dos bens da Eucatex foi decidido depois de o promotor Silvio Marques ter encontrado indícios de que a empresa estaria vendendo imóveis e transferindo parte de seus ativos para outra companhia da família para "salvar ou blindar" o patrimônio em razão das ações do Ministério Público Estadual.

Quando sofreu o bloqueio, a Eucatex informou, em nota, que o patrimônio da empresa cresceu mesmo após a transferência de parte dele para uma nova companhia. "Hoje ele seria de R$ 1,067 bilhão, conforme balanço publicado no Diário Oficial do Estado em 21 de março. Vale ressaltar que a Eucatex é uma empresa S/A de capital aberto, com centenas de acionistas, dentre eles o deputado Paulo Maluf, que não é diretor e nem mesmo membro do seu Conselho de Administração."

O deputado Paulo Maluf, por meio de sua assessoria, declarou taxativamente. "Paulo Maluf não é réu no processo em Jersey, não tem ligação com as empresas citadas (Kildare e Durant) e não tem conta bancária no exterior."

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