Promotor discute participação de futuro ministro na morte da modelo mineira

O promotor Francisco AssisSantiago, que comanda as investigações do Ministério Públicosobre a morte da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, cujo corpofoi encontrado num flat de luxo da zona sul de Belo Horizonte,em agosto de 2000, disse hoje que não acredita que asautoridades ouvidas até agora sobre o caso tenham participaçãono falecimento da jovem. A declaração foi dada após o futuroministro do Turismo, deputado Walfrido dos Mares Guia (PTB-MG),prestar depoimento na Procuradoria-Geral de Justiça do Estado. Em pronunciamento, ele levantou a suspeita de queestaria sendo vítima de uma "armação" e que buscará"reparação de sua honra". O deputado estava acompanhado dosadvogados Castelar Modesto Guimarães Filho, ex-procurador-geralde Justiça de Minas, e do ex-procurador-geral da RepúblicaAristides Junqueira, que disse que há a suspeita de que oenvolvimento do nome do deputado no caso teria "conotaçãopolítica". Segundo Francisco Santiago, o deputado demonstroubastante "firmeza" em seu depoimento e descartou, a princípio,a possibilidade de chamá-lo novamente a depor. O secretário deGoverno e Assuntos Municipais, Henrique Hargreaves, e opresidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig),Djalma Bastos Morais, já prestaram depoimento aos promotores queapuram o caso. "Tudo leva a crer que eles conheceram, receberam(a modelo) em audiência, mas daí imaginar que eles poderiamestar envolvidos na morte dela, eu seria leviano em afirmar",destacou. Guia apresentou-se espontaneamente ao MP, dispensandosuas prerrogativas parlamentares. Os advogados levantaram tambéma suspeita de que o advogado que representa a família da modelo,Rui Caldas Pimenta, teria omitido um relacionamento com ela.Eles prometeram uma ação de difamação contra Rui Caldas, combase na Lei de Imprensa. O advogado disse que Mares Guia foicitado por diversas vezes nos laudos do inquérito que investigaa morte da modelo como uma pessoa constante na vida de Cristianae apesar de o futuro ministro tentar minimizar o seuenvolvimento com ela, está retratado nos autos que, por diversasvezes, ele fez viagens em sua companhia. Ela também teriaprestado serviços na área de informática no gabinete do entãovice-governador. Em nota divulgada, o deputado afirmou que Cristianajamais "prestou qualquer tipo de serviço - formal ou informal"a ele. Reafirmou que não manteve "qualquer tido derelacionamento pessoal" com a modelo e a encontrou, uma únicavez, há seis anos, no gabinete da Vice-Governadoria. Na ocasião,segundo ele, ela solicitou um emprego em Brasília, "o que nãofoi atendido". Sua mulher, a empresária Sheila Mares Guia, que no dia23 também foi incluída na lista pessoas que seriam indiciadaspelo MP, anunciada pelo promotor Luís Carlos Martins Costa,também compareceu. Familiares da modelo, segundo Rui Pimenta, acusam Sheilade ter feito ameaças a Cristiana. De acordo com Junqueira, elanegou que conhecesse a modelo até a divulgação do caso naimprensa e jamais havia ouvido qualquer referência sobre ajovem. Cristiana, que tinha 24 anos, foi encontrada morta em 6de agosto, no San Francisco Flat Service. O laudo da PolíciaCivil concluiu que ela se suicidou ingerindo veneno para ratos, maso MP, que reabriu o caso, descarta tal hipótese e diz que ajovem foi assassinada. O MP anunciou que também será chamado adepor o vice-governador de Minas, Newton Cardoso (PMDB).

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