Promotor aponta contradições em depoimentos de assassinos de pataxó

Os quatro jovens que queimaram vivo o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, em abril de 1997, em Brasília, confessaram, nesta terça-feira, ter cometido o crime, no primeiro dia de julgamento do caso.No interrogatório, Max Rogério Alves, Antônio Novély Vilanova, Eron Chaves de Oliveira e Tomás Oliveira de Almeida disseram que se tratava de uma brincadeira baseada em uma "pegadinha" do programa Domingão do Faustão, da Rede Globo.Os acusados seguiram à risca a orientação da defesa, que tenta desclassificar o ato de homicídio doloso triplamente qualificado - quando se tem a intenção de praticar o crime - para lesões corporais seguidas de morte.Logo no início do julgamento, a hipótese de cancelamento do júri foi descartada pela juíza Sandra de Santis, contra quem o Ministério Público alegou suspeição, já que em 1997 ela havia decidido favoravelmente aos réus.Em depoimentos muito semelhantes, os rapazes contaram que o fogo atingiu um cobertor que cobria as pernas do índio. Mas o promotor Maurício Miranda aponta uma contradição, pois, segundo laudos periciais, não havia nenhuma coberta sobre Galdino.Além disso, os acusados afirmaram que pretendiam comprar apenas uma quantidade pequena de álcool e que o frentista Adailto Ribeiro os teria orientado a levar pelo menos 2 litros e oferecido os recipientes. No depoimento à polícia, Ribeiro afirmou que os frascos para colocar o combustível estavam no carro dos rapazes.Dos quatro acusados, três choraram diante da juíza. Max Rogério Alves, o primeiro a depor, e Antônio Novély Vilanova, o último, não pediram perdão à família de Galdino, presente à sessão. Max é enteado de seu advogado, o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Walter José Medeiros. Antônio é filho do juiz federal Novély Vilanova."Desde o dia do fato estou arrependido. Peço perdão aos familiares da vítima. Não sabia que o caso tomaria a proporção que tomou", disse Eron Chaves de Oliveira que, junto com o primo, Tomás Oliveira de Almeida, ressaltou o sofrimento dos índios.Para tentar convencer os jurados de que os rapazes cometeram um crime hediondo e não fizeram uma brincadeira malsucedida, a acusação pretende mostrar fotos e vídeos do cadáver. "Ele foi cozido vivo", disse um dos assistentes da acusação. Os debates entre o Ministério Público e os advogados deverão ocorrer na quinta-feira.Após ouvir réus, testemunhas, defesa e acusação, os sete jurados sorteados nesta quinta-feira pela juíza Sandra de Santis decidirão se os jovens devem ser condenados por lesão corporal, por homicídio simples ou por homicídio triplamente qualificado.

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