Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Promessa de campanha de Covas, abertura do Anhangabaú tem novo atraso

Segundo a Prefeitura de SP, empresa vencedora da concessão da área não apresentou documentação dentro do prazo

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2021 | 18h17

Calcanhar de Aquiles na campanha da reeleição do prefeito Bruno Covas (PSDB), a reforma do Vale do Anhangabaú, no centro histórico de São Paulo, sofreu novo revés e não tem mais data para ser concluída. Nesta sexta-feira, 26, a Prefeitura teve de reconhecer o fracasso na tentativa de conceder a área em obras à iniciativa privada e chamou a segunda colocada no processo de concessão para assinar contratos com o poder público, que pretende privatizar a gestão do espaço.

Segundo despacho publicado no Diário Oficial da Cidade, quem venceu, em dezembro, a licitação para a concessão do Anhangabaú, o Consórcio Viaduto do Chá, não apresentou a documentação necessária para a assinatura do contrato dentro do prazo determinado pela Prefeitura – prazo que já havia sido prorrogado em fevereiro. O consórcio é formado pela empresa G2 Partners. O Estadão não conseguiu localizar representantes da empresa. 

Questionada pela reportagem, a gestão Covas não deu prazo para que o novo Anhangabaú seja aberto. Durante a campanha eleitoral, os oponentes do prefeito questionaram o preço da obra, estimado na época em R$ 100 milhões, e o fato de que a nova praça teria menos cobertura vegetal do que a atual. A ideia de Covas era que uma empresa privada cuidasse da zeladoria do vale e de sua nova estrutura, como o chafariz, e em troca tivesse liberação para explorar quiosques e lojas no local, além de poder realizar eventos.

O segundo colocado na licitação é um consórcio formado pelas empresas Urbancon Consultorias, Nacional e B. Internacional Real Estate. Para que o grupo assuma a concessão, entretanto, terá de mostrar interesse em arcar com a proposta financeira feita pelo outro consórcio, de R$ 6,5 milhões. A reportagem também não conseguiu entrar em contato com representantes dessas companhias. 

A Prefeitura não informou quais são as opções na mesa caso o segundo consórcio também não se interesse. Em nota, afirmou que as obras da reforma terminaram em 30 de outubro. “Os prazos do contrato foram prorrogados apenas para a continuação da operação assistida, realizada pelo consórcio responsável pelos trabalhos, que visa a corrigir eventuais desconformidades na obra, para que, na entrega definitiva, todos os novos equipamentos, entre eles as fontes de água, funcionem perfeitamente”, diz o texto.

A reforma tocada por Covas é a conclusão de um projeto do escritório de arquitetura do dinamarquês Jan Gehl, contratado pela gestão Fernando Haddad (PT), em 2016. Segundo a Prefeitura, quando pronto – e quando superada a pandemia – o local deve receber até 10 mil pessoas por dia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.