Projeto Tamar terá acesso à Internet via satélite

Os biólogos do Projeto Tamar, de preservação de tartarugas marinhas, em Fernando de Noronha, podem a partir de agora receber colaborações de pesquisadores de todo o mundo de forma mais ágil e eficiente. Um contrato com uma empresa de comunicação via satélite, a Star One, permite que eles tenham acesso à Internet durante todo o dia e troquem dados com cientistas de outros países. Com o novo sistema, eles podem ainda se comunicar em tempo real com as outras 19 bases do Projeto Tamar e acompanhar o nascimento das tartarugas marinhas em todo o País - o número de animais protegidos ultrapassou 4,5 milhões este ano.Até quarta-feira passada, quando o contrato foi assinado, os biólogos que quisessem enviar uma foto digitalizada ou arquivo de computador para outro pesquisador, precisavam recorrer aos correios. E levava de três a quatro dias para o material chegar ao destinatário. A Internet por via telefônica, além de cara, era lenta. "Não conseguíamos ficar todos os pesquisadores conectados à Internet porque a ligação caía. Às vezes, para receber um arquivo precisávamos ficar duas horas na web", diz o coordenador do escritório regional do Tamar no Rio Grande do Norte, responsável pela base de Fernando de Noronha, Cláudio Bellini. A dificuldade maior de estar numa ilha a 200 milhas da costa (cerca de 370 quilômetros), além das linhas telefônicas precárias, era a necessidade de conectar-se à rede por uma ligação interurbana - não há provedores em Fernando de Noronha. As contas só com os gastos de Internet por discagem telefônica chegavam a R$ 2 mil . Pelo contrato com a Star One, o projeto Tamar pagará cerca de R$ 550 mensais pela conexão à rede. O dinheiro virá do patrocínio da Petrobrás.Bellini pretende aproveitar a nova tecnologia no Centro de Visitantes, que recebe turistas à noite para palestras a respeito do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e os projetos de preservação. A idéia é montar um auditório multimídia, onde os visitantes poderão acessar também a página eletrônica do Tamar.O programa de preservação das tartarugas marinhas começou em 1980. Quatro anos depois, o projeto chegou a Fernando de Noronha, onde há a menor concentração desses animais no País. Este ano, os biólogos do Tamar acompanharam a reprodução de 15 fêmeas - o número é considerado alto para a região. Elas fizeram entre 80 e 90 ninhos, de onde sairão 7.500 filhotes. Pelas estimativas dos pesquisadores, somente um ou dois filhotes chegam à idade adulta.

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