Projeto social de Bernardinho leva vôlei para mais cinco favelas do Rio

Projeto de vôlei para crianças vai se expandir para mais cinco favelas cariocas

Júlia Dias Carneiro, BBC

30 de setembro de 2011 | 05h18

Depois de inaugurar uma unidade no Complexo do Alemão, a escola de vôlei para crianças do técnico Bernardo Rocha de Rezende, o Bernardinho, deve chegar a outras cinco comunidades pacificadas no Rio até o fim deste ano.

O projeto social será levado a favelas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), na esteira da política de segurança pública que tem aberto espaço para empreendimentos em comunidades antes sob domínio do tráfico armado.

Na favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão, a unidade da Escola de Vôlei do Bernardinho (EVB), inaugurada no início de setembro, começou com aulas para 150 crianças e já tem fila de espera de outras 400.

De acordo com Bernardinho, a possibilidade surgiu a partir do processo de pacificação. "Antes, a situação era crítica no que diz respeito à violência e à entrada de pessoas de fora da comunidade", diz o técnico da seleção masculina de vôlei.

Nos últimos meses, sua equipe esteve em contato com a Secretaria de Segurança Pública, analisando a situação de cada comunidade para mapear onde poderiam entrar.

Paz e normalidade

Bernardinho considera a chegada de projetos ligados a áreas como esportes, artes e educação essencial para "perpetuar uma situação de paz e normalidade" nestas comunidades.

"É fundamental a presença desses projetos para que a gente possa fincar efetivamente a bandeira da paz, e gerar uma normalidade nas vidas dessas comunidades", afirma.

Para ele, ocupar as comunidades permanentemente com altos contingentes de policiais não pode ser uma solução definitiva.

"Apenas com repressão e a presença maciça policial, isso é efêmero. Mas com atuação efetiva do governo de entidades privadas, levando projetos às mais diversas áreas, tenho certeza que o processo pode ser realmente ser bem sucedido", diz.

Atualmente, o Complexo do Alemão vem sendo monitorando por 1.600 homens do Exército, enquanto não se instalam no local quatro UPPs permanentes, previstas para o ano que vem.

Novas unidades

As novas unidades da EVB serão instaladas, segundo o coordenador técnico da escola, Alessandro Celano Garcia, na Mangueira, próximo ao Maracanã; no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa; no Morro da Mineira, no Catumbi, próximo ao Centro; e nos morros do Salgueiro e do Borel, na Tijuca.

A EVB tem um braço comercial e um social, que nasceu depois que Bernardinho foi convidado a dar uma palestra para o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), em 2007. Na ocasião, conheceu a comunidade Tavares Bastos, logo abaixo do quartel. Devido à presença do Bope desde 2000, a favela já estava "pacificada" mesmo antes da existência das UPPs.

"Eu disse a eles que eu gostaria de contribuir com o desenvolvimento da comunidade através do esporte. E lá implantamos o primeiro núcleo", conta. Hoje, mais de mil crianças passaram pela escola, e alguns jovens foram encaminhados para clubes cariocas depois.

Motivação para crianças e policiais

Assim como as unidades do Alemão e da Tavares Bastos, as novas escolas irão oferecer aulas gratuitas para crianças.

"O importante é que elas sejam educadas também pelo esporte, que se desenvolvam, criem habilidades e vivam os valores do esporte, que são muito importantes", diz Bernardinho. "Quem sabe dali possamos também extrair futuros atletas de alto nível. Isso seria a cereja do bolo. Mas o objetivo é dar a essas crianças oportunidades e uma autoestima mais elevada."

Assim como as crianças, Bernardinho acredita que também os policiais podem aprender com os valores do esporte. Dias depois de inaugurar a escola no Complexo do Alemão, ele fez uma palestra para policiais e comandantes das UPPs no Rio, no encerramento de um seminário para debater os rumos da polícia pacificadora.

"Conversei com eles sobre preparação, trabalho em equipe, motivação e as dificuldades de trabalhar sob pressão. Eles vivem em um ambiente de alta competitividade, os concorrentes são violentos, vorazes. Dominavam aquele mercado e de repente são destituídos daquele poder. Então há de se usar inteligência, preparação permanente e formar boas equipes", diz. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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