Projeto Rondon vai levar apoio a carentes de Angola e Bolívia

Programa fez parceria durante 10 anos com o Canadá e agora busca recursos do Itamaraty

José Maria Mayrink, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

O Projeto Rondon, criado pelo governo militar em 1967 e relançado pelo presidente Lula em 2005, vai exportar sua experiência para a Bolívia e Angola, depois de dez anos de parceria com o Canadá. Professores da Universidade Nacional Autônoma de Santa Cruz de la Sierra e da Universidade Anhanguera de Campo Grande se reuniram em abril, sob patrocínio da Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores, para estudar a assinatura de um convênio que permitirá atuação de estudantes nos dois países."Dependemos de recursos do Itamaraty para as passagens, especialmente no caso de Angola, mas os custos se resumem às viagens, pois os participantes se hospedam em casas de família e contam com a ajuda das prefeituras", informa o presidente nacional do Projeto Rondon, coronel reformado Sérgio Mário Pasquali, de 82 anos. Primeiro secretário executivo da instituição, então subordinada ao Ministério do Interior, ele renunciou à carreira militar, quando deveria ser promovido a general, para continuar trabalhando estudantes e professores no atendimento a populações carentes.Depois da Bolívia, o Projeto Rondon chega ao Paraguai. "Teremos mais uma oficina de trabalho, em agosto ou setembro, para escolher as áreas e os programas a serem executados", adianta a professora Marilena Reis, presidente do Projeto Rondon de Mato Grosso do Sul. O planejamento da parceria será submetido ao Ministério das Relações Exteriores, responsável pelas negociações diplomáticas na assinatura do convênio.COLETA DE LIXO"Teremos um encontro com o embaixador de Angola e, com base no que ele propuser, vamos submeter a proposta ao Itamaraty, para saber se o governo tem interesse nesse intercâmbio", anuncia Pasquali. A ação terá equipes dos dois países, num sistema de revezamento, para execução de projetos locais. No Canadá, onde o Projeto Rondon atuou com a Jeunesse Canada Monde, até o fim de 2008, os estudantes brasileiros trabalharam, entre dezenas de operações, na coleta de lixo do Rio Saint François, na Província de Quebec. A parceria envolveu mais de mil universitários brasileiros e canadenses.Apesar de ter sido extinto como instituição pública do governo federal em 1989, o Projeto Rondon não deixou de existir. A Associação Nacional dos Rondonistas, criada em 1990 por ex-participantes, levou as operações adiante até janeiro de 2005, quando um decreto presidencial criou o Comitê de Orientação e Supervisão do Projeto Rondon. Responsável pela coordenação das ações no âmbito do governo federal, o Ministério da Defesa conta com a colaboração do Ministério da Educação e do Itamaraty. Em 42 anos de atividade, cerca de 400 mil universitários participaram do projeto.No relançamento do Projeto Rondon, o presidente Lula reafirmou o lema "integrar para não entregar", que inspirou em 1967 o idealizador da iniciativa, professor Wilson Choeri, da Universidade Estadual da Guanabara. Para isso, escolheu a cidade de Tabatinga, na fronteira do Amazonas com a Colômbia e o Peru, onde universitários voltaram a campo semanas depois. A sugestão de retomada do projeto partiu da União Nacional dos Estudantes (UNE).Adversários na ditadura, estudantes e militares se deram as mãos, para viabilizar o projeto, esquecendo diferenças do passado.Os universitários chegaram a Tabatinga em aviões da Força Aérea Brasileira, hospedaram-se em alojamentos do 8º Batalhão de Infantaria de Selva, percorreram a região em barcos da Marinha e tiveram, por toda parte, a proteção de soldados do Exército. O apoio das Forças Armadas é imprescindível para as operações do Projeto Rondon, sobretudo na Amazônia, concordam os coordenadores."Os contatos são feitos com as universidades, ao contrário da fase inicial, quando estudantes se apresentavam como voluntários", informa Pasquali. No relançamento, 125 instituições de ensino superior se candidataram.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.