Projeto que quer dividir Maranhão pode beneficiar Sarney

Fora do poder estadual desde o final de 2002 e tendo de esperar mais quatro anos para tentar reavê-lo, o ex-presidente da República e senador pelo Amapá, José Sarney (PMDB), pode beneficiar-se de um atalho traçado por seu aliado, senador Edison Lobão (PFL-MA), que propõe a criação do Estado do Maranhão do Sul. Ao final do mandato do atual governador, Jackson Lago (PDT), a família Sarney, que por 40 anos comandou o Estado, completará quase uma década fora do governo maranhense. Uma emenda de Lobão, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, autoriza a realização de um plebiscito para dividir o Maranhão em dois. Sarney amarga há quase seis anos a infidelidade política de um ex-aliado, José Reinaldo, que assumiu o governo no último ano de mandato da então governadora Roseana Sarney, de quem era vice, e que se desincompatibilizara para concorrer à presidência da República e acabou elegendo-se para o Senado, após o escândalo de caixa dois que inviabilizou sua campanha. Uma vez no governo, José Reinaldo ganhou vôo próprio, rejeitou aliança com Sarney e reelegeu-se no cargo. Depois dele, Roseana tentou voltar, mas foi derrotada pelo pedetista Jackson Lago. PropostaAutor da proposta, Edison Lobão justifica o plano como decorrente da pobreza do Estado, que a divisão ajudaria a combater. Para ele, mais difícil do que aprová-lo na Câmara, é conseguir convencer a maioria dos eleitores, que estão do lado norte do Estado. "O Maranhão é um Estado pobre, muito pobre, o que eu estou querendo é acelerar o crescimento de um lado e do outro, sobretudo, do Maranhão do Sul", alega. A senadora Roseana Sarney afirma que não tem nada a ver com a idéia do colega. "O projeto está há muitos anos Câmara", informa, referindo-se a proposta similar do deputado Sebastião Madeira (PSDB-MA), ao qual o de Lobão, se ratificado pelo plenário do Senado, será anexado. Diz ainda que não tem motivação política para separar a parte do Estado onde foi melhor votada. "Ali, eu perdi em Imperatriz, da mesma forma que ocorreu em São Luís". O deputado Madeira afirma que a divisão "é vontade unânime da população e de todas as correntes políticas". Segundo ele, quem mudou foi Roseana, que quando governadora rejeitou a idéia, alegando que "uma mãe não pode se separar de seus filhos". Lobão diz que o primeiro projeto de divisão, do ex-deputado Davi da Silva, foi proposto quando da Constituinte de 1988.Ex-desafeto e atualmente aliado dos Sarney, o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), também acha difícil os eleitores optarem pela divisão do Estado. Ex-governador, Cafeteira admite que o sul é "pouco lembrado". Ele nega a possibilidade de a iniciativa restaurar o poder do clã Sarney em qualquer um dos lados. Ao contrário, acha que os principais beneficiados no sul serão os parlamentares que carregarem a bandeira da divisão. Ou seja, ou o deputado Madeira ou o senador Lobão.

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