Projeto para Pontal pode ser alterado

Marrey visita críticos da proposta e alega que governo aceita sugestões

José Maria Tomazela, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2002 | 00h00

O secretário de Justiça de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, admitiu que o projeto do governador José Serra (PSDB) de regularização fundiária do Pontal do Paranapanema pode ser alterado. Em reuniões com fazendeiros da região e com o bispo d. José Maria Libório Saracho, representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Estado, na quinta-feira, em Presidente Prudente, ele disse que o governo não vai se opor a mudanças que possam aprimorar a proposta.O projeto, que tramita desde junho na Assembléia, prevê a regularização de áreas com mais de 500 hectares em troca da cessão de um porcentual - de 15% a 25% - para o governo usar na reforma agrária. A contrapartida pode ser paga em terra ou em dinheiro. O secretário disse que o fato de o governador já ter encaminhado o projeto à Assembléia não significa que ele é imutável. ''''Está lá para ser discutido e não há qualquer intransigência de não permitir mudanças.''''O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, diz que o porcentual é considerado excessivo pelos fazendeiros, ''''que já pagaram pelas terras''''.Ele considerou onerosas as condições de pagamento da contrapartida, com juros de 2% mais correção. Mesmo assim, frisou que os ruralistas estão dispostos a aderir ao projeto para buscar uma solução aos conflitos. ''''Hoje, dormimos preocupados se a fazenda será invadida durante a noite.''''''''CORAGEM''''A presidente do Sindicato Rural de Mirante do Paranapanema, Tânia Tenório, destacou a ''''coragem do governo Serra de colocar a mão nesse vespeiro''''.Marrey disse que a preocupação é de gerar uma lei que funcione, pois a anterior, do ex-governador Geraldo Alckmin, teria tido ''''zero'''' de adesão. Na companhia do secretário da Agricultura, João Sampaio, Marrey conversou com o bispo, que recentemente divulgou um manifesto contra o projeto, qualificando-o de ''''a legitimação da grilagem''''.''''Opinamos que o projeto traz benefício para a sociedade como um todo, inclusive o povo mais pobre, e ele ficou de refletir'''', comentou o secretário da Justiça. Segundo ele, o diálogo com o representante da CPT foi importante, pois a Igreja Católica tem presença ativa na região.D. José Maria comentou que teve ''''uma conversa de amigos'''' com os secretários, mas vai agir e falar de acordo com a sua consciência. Ele frisou que a região tem 5 mil pessoas em acampamentos e muitas passam fome, o que considerou ''''uma vergonha no Estado mais rico''''.O bispo convidou os secretários para uma visita a acampamentos da região. ''''Se quiserem conhecer a situação dessas pessoas, eu vou servir de guia.'''' Marrey prometeu voltar para novo encontro com o religioso, pois considera que a maioria, na região, apóia o projeto.

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