Projeto de cotas fere autonomia das universidades, diz Andifes

Para órgão, é preciso conhecer as condições de cada instituição de ensino e não apenas garantir vagas fixas

Agência Brasil

21 de novembro de 2008 | 13h42

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) se declarou contrária ao projeto aprovado nesta sexta-feira, 20,  na Câmara dos Deputados  que estabelece cotas raciais e sociais nas universidades públicas federais de todo o País.  Veja Também: Câmara aprova cotas raciais em universidades públicasReitor da Unipalmares fala no combate ao racismo I  Reitor da Unipalmares fala no combate ao racismo II   Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do órgão, Amaro Lins, explicou que é favorável a medidas que possibilitem o acesso ao ensino superior, mas que é preciso conhecer as condições de cada instituição de ensino e não apenas garantir um número fixo de vagas por meio de uma lei. "Somos contrários a colocar em lei, definir o que é cota, o tempo de ação e o percentual, porque isso, inclusive, fere a autonomia das universidades. É muito grave. Esse projeto, no final, pode trazer um resultado oposto ao que se pretendia porque quando você deixa 50% de todas as vagas para alunos da rede pública sem considerar as questões locais e as condições da própria universidade e do seu entorno, você pode promover maior ociosidade dentro das universidades." Segundo Lins, as 58 universidades públicas do País que já praticam algum tipo de ação afirmativa ou de cotas para o ensino superior discutiram o tema com a comunidade local e com os governos estaduais envolvidos. Algumas oferecem cursos para que alunos da rede pública de ensino se preparem para o vestibular, outras mantêm algum tipo de cota ou mesmo estímulos e incentivos na própria nota do vestibular também para alunos da rede pública. Durante visita ao estado do Amapá, Lins afirma que alguns cursos - sobretudo os que envolvem uma base científica como Física e Química - apresentam grande evasão de alunos não apenas no Brasil mas em todo o mundo. Os índices, segundo ele, podem chegar a 50%. "Se você simplesmente põe 50% de alunos da rede pública que, infelizmente, vêm de escolas que não têm a qualidade necessária, eles não vão ter sucesso nos cursos, vão se evadir muito provavelmente já no primeiro período. É cruel tomar uma decisão dessa."  "Por isso, apelamos ao Congresso Nacional que pense bem e dialogue mais com as universidades sobre isso. Para que possamos fazer algo que estamos todos de acordo, que é a inclusão de jovens que não têm as mesmas condições de educação que outras classes mais elevadas", diz. Lins afirma que a Andifes também é contrária ao que ele chama de subcotas que beneficiam negros, indígenas e estudantes de baixa renda. Ele acredita que existem políticas "mais adequadas" e cita como exemplo positivo o método adotado pela Universidade Federal de Pernambuco. No processo seletivo da instituição, o aluno da rede pública recebe 10% a mais na nota que tira no vestibular. "Ele é tão bom ou melhor do que um aluno da rede privada. Dessa forma, garantimos que todos os alunos sejam bons e promovemos uma forte inclusão por meio do processo. Dentre as principais causas da evasão no ensino superior brasileiro, ele lembrou o baixo nível de formação dos alunos que ingressam nas universidades, o poder aquisitivo dos alunos, a ausência de maturidade, o pouco conhecimento sobre o curso escolhido e a falta de apoio por parte da própria instituição para que os alunos se sintam adaptados.

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