Proibição de VUCs no centro de São Paulo é incerta

Medida vale a partir de sábado; Kassab acenou com revogação

Renato Machado, de O Estado de S. Paulo,

30 de outubro de 2008 | 02h10

A dois dias do início da restrição aos Veículos Urbanos de Cargas (VUCs), um quadro de incertezas preocupa quem trabalha com o setor de cargas. De acordo com o decreto 49.636, esses veículos passarão a obedecer em 1º de novembro as restrições impostas aos demais caminhões e não poderão circular no centro expandido entre 5 e 21 horas. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou diversas vezes que a regra não entraria em vigor porque as outras medidas para melhorar o trânsito atingiram bons resultados. Nenhuma ação, porém, foi anunciada e o decreto continua a valer. Até as 18 horas, a Prefeitura não havia se posicionado sobre a questão. Veja tambémRestrição a circulação de veículos no centro é ampliadaComo o trânsito parou São Paulo e os números da frotaAs medidas que ajudariam a aliviar o trânsito na capitalDossiê Estado: os números do trânsito em SP   Desde 1º de agosto, os VUCs obedecem a um sistema de rodízio de placas pares e ímpares para circular na Zona de Máxima Restrição à Circulação de Caminhões (ZMRC), área de 100 quilômetros quadrados que abrange o centro expandido. Essa regra vale para o horário entre 10 e 16 horas. Assim como os caminhões, os VUCs têm acesso livre das 21 às 5 horas e estão proibidos nos demais horários.  Essa situação deveria se manter até 31 de outubro e, a partir de então, eles só poderiam circular nas ZMRC à noite e madrugada. O decreto, porém, diz que a restrição dos VUCs pode ser revertida, caso a Secretaria Municipal dos Transportes constatasse melhoras no trânsito. O órgão, no entanto, não se manifestou sobre o assunto e também não colocou faixas indicando as áreas em que os VUCs não poderão circular durante o dia, assim como fez antes do início da restrição para os outros caminhões. Os agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), os marronzinhos, ainda não foram orientados sobre qual medida estará em vigor a partir de 1º de novembro. "Nós sempre somos avisados sobre as regras bem antes, afinal somos nós que estamos nas ruas fiscalizando", diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Viário, Alfredo Coletti. "Mas até agora nenhum funcionário foi orientado", completa. Os empresários do setor de carga também reclamam dessa indefinição, pois não conseguem organizar a agenda de entregas da próxima semana. "É preocupante essa situação. A Prefeitura nos prometeu que não proibiria a circulação dos VUCs, porque é a forma que temos para manter as entregas, já que os outros caminhões não podem rodar. Só que faltam dois dias e o decreto não foi revogado", diz o presidente do Sindicato das Empresas do Transporte de Carga de São Paulo (Setcesp), Francisco Pelúcio. O prefeito Gilberto Kassab compareceu a um evento de campanha na sede do Setcesp em agosto e prometeu aos empresários manter o sistema de rodízio de placas pares e ímpares e também disse que iria analisar o pedido de retirar todas as restrições aos VUCs. Kassab solicitou ao sindicato um estudo sobre qual seria o impacto da liberação para o trânsito. Os dados foram entregues a ele e ao secretário municipal dos Transportes, Alexandre de Moraes.  Segundo os números do Setcesp - baseados em informações do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) - há em todo o País 41 mil VUCs, o que representa 1,73% da frota nacional. Na cidade de São Paulo, há 5 mil veículos desse tipo licenciados e 10 mil circulantes. A frota total do Município é de 6,2 milhões de veículos. "É menos de 1% da frota circulante. A liberação vai evitar um colapso na logística de entregas e não vai prejudicar o trânsito", diz Pelúcio. LENTIDÃO Os índices de lentidão de setembro deste ano mostram uma melhora discreta em relação ao mesmo mês do ano passado. A média do período da manhã foi de 90 quilômetros, ante 99 do período anterior, uma redução de 9%. À tarde, a redução foi menor, de 5%. Quando comparado com os meses deste ano anteriores ao pacote de mudanças no trânsito, a diferença chega a ser de 18%.

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