Proibição de mercurocromo e Merthiolate divide opiniões

A proibição de venda e uso de remédios com derivados de mercúrio, decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciada nesta terça-feira, divide opiniões de especialistas e confunde o consumidor.Entre os 49 medicamentos atingidos pela medida estão os populares anti-sépticos mercurocromo e Merthiolate. Segundo a Anvisa, a decisão segue tendência mundial de diminuir a exposição de seres humanos aos derivados de mercúrio. Para o coordenador-executivo da Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos (Sobravime), José Ruben Bonfim, a decisão da Anvisa foi acertada, mas apenas respondeu a pressões. "A proibição não é prova de eficiência da Anvisa", critica. "É tempo de a agência tomar a iniciativa." O professor Antônio Carlos Zanini, médico do Hospital das Clínicas e consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS) para medicamentos, considera a proibição da Anvisa exagerada. "Falta base científica nas decisões da agência."Zanini lembra que, em 1980, especialistas concluíram que o uso de produtos com mercúrio sobre a pele e em quantidades pequenas não oferecia risco. Enquanto alguns especialistas dizem que os anti-sépticos proibidos não são eficazes, outros dizem que são. De qualquer forma, os médicos têm orientado que o melhor é lavar machucados com água e sabão ou usar iodo. Mas os consumidores ainda estão confusos e não entenderam bem o motivo da proibição do Merthiolate e do mercurocromo. "O que vou usar agora?", pergunta a vendedora Gislaine Teixeira, de 31 anos.Com dois filhos pequenos, ela conta que sempre usou os anti-sépticos nas crianças e nunca teve problemas. Sua irmã, Regiane Teixeira, de 32 anos, também é adepta dos produtos proibidos." Aos 60 anos, a doméstica Cecília de Oliveira já usou muito Merthiolate nela mesma e nos filhos, quando eram pequenos. "Proíbem um remédio, mas logo vem outro", diz.

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