Programa quer alfabetizar 1,2 milhão de pessoas em 2002

O fim do analfabetismo no Brasil custaria, na fase preliminar, cerca de R$ 3,5 bilhões para atingir os 17,6 milhões de brasileiros que, segundo o Censo 2000 do IBGE, não sabem ler. Pelo menos se for levado em conta previsão da presidente do Conselho do Programa Comunidade Solidária, Ruth Cardoso, de um gasto mensal de R$ 34 para ensinar uma pessoa a entender palavras e frases inteiras num prazo de seis meses.Essa foi a despesa com cada um dos 2,4 milhões de analfabetos, acima de 10 anos, que passaram, nos últimos seis anos, pelo Programa Alfabetização Solidária. O gasto foi dividido ao meio entre o governo e parceiros como Estados, municípios, universidades e empresas. "É preciso uma ação muito urgente para melhorar os números do analfabetismo", disse Ruth Cardoso. "O programa (Alfabetização Solidária) é barato e eficiente."A superintendente do Alfabetização Solidária, Regina Esteves, estima que 73% das pessoas atendidas pelo programa estavam na faixa etária de 12 a 30 anos. Em 1999, 76% dos que passaram pelos cursos continuaram os estudos na rede pública de ensino. A necessidade de buscar emprego e os problemas de visão são os dois fatores, segundo Regina, que mais causam evasão nas salas de aulas.A atuação do Alfabetização Solidária, programa que substituiu o antigo Mobral, começou em 1997 nos 38 municípios apontados à época pelo IBGE com os índices mais elevados de analfabetismo na faixa etária de 15 a 19 anos. Mais de 50% da população desses locais não sabiam ler ou escrever. Em Branquinha (AL), 62,91% das pessoas foram consideradas analfabetas. Hoje, 52,5% dos moradores do lugar acima de 10 anos lêem e escrevem. Branquinha, no entanto, é o município com maior índice de analfabetos do País.Dos dez municípios que lideravam o ranking de analfabetismo em 1997, oito saíram dessa lista com a chegada do programa Alfabetização Solidária. É o caso de Pauiní (AM), que atingia porcentual de 81,23% de analfabetos. "Não dá para ficar muito contente, mas é uma queda significativa", afirmou Ruth Cardoso.No próximo ano, a meta é alfabetizar mais 1,2 milhão de pessoas em 2.010 municípios. O custo previsto é de cerca de R$ 120 milhões. Ruth Cardoso afirma que o analfabetismo é o principal motivo de exclusão social. E destacou o papel do professor no aumento da taxa de alfabetizados. "O pobre professor, que deve ser estimulado, tem de trabalhar com a diversidade em sala de alfabetização", disse. "Há alunos que nunca pegaram o lápis, e outros passaram seis meses na escola."

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