Programa do PT não pode parecer de oposição, diz ministro

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, defendeu nesta sexta-feira que o programa de governo para um eventual segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa necessariamente manifestar um apoio à política social e econômica atual, e sugerir o que pode ser feito para melhorar o País a partir do ponto em que o governo se encontra. "Não podemos ter um programa de governo que pareça de oposição. Temos que ter um programa que fale de apoio à política econômica atual, à política social e econômica atual, e dos desdobramentos daquilo que temos condições de fazer a mais", disse o ministro, ao comentar os documentos que devem ser apresentados amanhã pelo PT durante a reunião do Diretório Nacional, e que têm por objetivo montar uma tese guia para o Encontro Nacional da legenda, marcado para final de abril.Opiniões diversas"Parece-me que seria mais adequado a nós levarmos para o Encontro Nacional documentos que expressem a posição de cada corrente (do partido)". Bernardo disse ainda que ele próprio não endossaria esses documentos no formato em que estão. Os textos que serão apresentados pelo PT tratam, entre outras questões, da política econômica e da política de alianças para um segundo mandato de Lula. Entre os assuntos relacionados, estão a proposta de um novo sistema de metas que guiaria, inclusive, a atuação do Banco Central, e sugestões sobre como o governo deve agir em relação a serviços e preços administrados. "Eu não endossaria esses documentos", disse Bernardo, defendendo que uma eventual votação dos textos na reunião de amanhã expressaria a opinião apenas da cúpula do partido, e não da totalidade da base do PT.Mesmo assim, o ministro insistiu que os documentos são legítimos e que o PT sempre abriu espaço para as discussões. Ainda assim, disse que o partido precisa assumir a responsabilidade que tem em relação ao governo Lula. "O PT é o principal partido de sustentação do governo e tem que assumir esta responsabilidade".Questionado sobre a possibilidade de alguns trechos dos textos poderem ser interpretados como uma proposta de intervenção no Banco Central, Bernardo se restringiu a sair em defesa da autonomia da instituição. "Eu defendo que o Banco Central tem autonomia inclusive formal", opinou.

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