Programa do PT foi sessão de psicanálise, diz Serra

O presidente nacional do PSDB, José Serra, classificou hoje como "uma verdadeira sessão de psicanálise" o programa partidário do PT, veiculado ontem no rádio e na TV. Em discurso durante encontro do diretório estadual da legenda tucana, em Belo Horizonte, Serra disse que o PT - citado por ele como o "partido do governo" - tem problema com o seu passado e ainda se sente inibido em assumir que está no poder. "Um partido realmente tem de viver muito angustiado. A melhor coisa que a gente tem na vida pública é não ter problema com o passado, poder explicar tudo o que fez, inclusive os erros", afirmou. "Isso é fundamental, inclusive falar dos erros com conforto e falar dos acertos com modéstia, mas com consciência daquilo que fez de bom. Nosso partido não tem problema com o passado, ao contrário daquilo que acontece hoje com o partido do governo no Brasil. Se alguém tem alguma dúvida, basta ter visto o programa de ontem, uma verdadeira sessão de psicanálise a respeito das culpas com relação ao passado".Em outra crítica aos petistas, o presidente do PSDB afirmou que há no governo uma "angústia" injustificável em relação ao preço da gasolina e do gás de cozinha. "A angústia com relação ao preço da gasolina e do gás não tem justificativa, porque são preços públicos. Quem decide é a Petrobras, o Conselho Nacional de Petróleo e, em última análise, o presidente da República. Mas, eles estão tão acostumados a fazer oposição, que criticam o preço de uma companhia que é dirigida pelo governo. Portanto, se o preço está alto, está incomodando, basta a Petrobras abaixar amanhã, disse. De acordo com Serra, essa questão reflete, "no fundo", uma "inibição de assumir o governo e de continuar fazendo campanha, inclusive na oposição e se comparando com o governo Fernando Henrique, sem olhar para a frente".Serra não deixou de atacar a política econômica da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ?Essa não seria a nossa política no governo, porque o PSDB é o partido da continuidade da mudança, nós estaríamos sempre mudando, nunca usando agenda antiga ou agenda emprestada de outros?. Segundo ele, as eleições de 2002 foram sucedidas por uma ?grande explosão de esperanças e de expectativas?. ?Infelizmente, até agora, essas esperanças têm mostrado que são mais ilusões do que esperanças e as expectativas se transformaram em frustrações?, afirmou, citando o desemprego ? ?o mais alto da história? ? e o salário mínimo ? que continua ?tão baixo, muito distante de sua duplicação em valores reais?.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.